Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 09/01/2021
Joseph Goebbels, propagandista do regime nazista no século passado, veiculava imagens de culto à violência e , assim, consolidava o culto ideológico na Alemanha. Analogamente, no Brasil, a mídia, seja por imediatismo, seja por audiência, espetaculariza a violência. Portanto, é necessário um debate entre Estado e sociedade, a fim de que os impasses existentes para uma imprensa livre dessa apologia sejam sanados.
A priori, pode-se destacar a ideia da escritora Françoise Héritier acerca de uma das causas da intolerância ser o imediatismo, visto que os jornais, diante da competição por veicularem informações relevantes, são negligentes na seleção de imagens e detalhes - sobretudo de assuntos violentos. Dessarte, os espectadores acreditam estar vivendo em um ambiente extremamente hostil. Por conseguinte, assim como ressaltou o físico Albert Einstein, é espantosamente óbvio que a tecnologia execute a humanidade, já que o cenário de veiculação instantânea de informações, proporcionado pela internet, contribui para a construção de uma mentalidade reativa na população. Isso ocorre ora pela proliferação de ideias intolerantes - que, diversas vezes, são aderidas por grupos segregacionistas - ora por expor exemplos de violência, como assasinatos.
A posteriori, convém destacar a ideia de Pierre Bordeau acerca de aquilo que foi criado como mecanismo de democracia direta - a mídia - não dever tornar-se instrumento de opressão simbólica, baseado na conjuntura de que há a tentativa desmedida dos órgãos midiáticos de receberem audiência. Dessa forma, a formação dos jornalistas nas universidades, ao invés de priorizar a disseminação de informações de forma democrática, isto é, com o máximo de imparcialidade, opta pelo lucro, ou seja, as preferências do público. Por consequência, assim como ressalta o psiquiatra Augusto Cury que a sociedade é sensibilizada, majoritariamente, em eventos extremos, há a prefrência por notícias espetacularizadas, o que, novamente, conduz ao contexto de reatividade e intolerância.
Diante disso, é evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos impasses existentes. Logo, urge, respectivamente, ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino no país, a condução de uma proposta de reforma dos cursos de jornalismo, por meio do envio ao Congresso Federal, que conste a obrigatoriedade do ensino de uma linguagem midiática desespetacularizada, a fim de que haja a desconstrução da mentalidade de cenário inteiramente hostil introduzido pelas notícias; e ao poder Legislativo, a criação de uma lei que obrigue a edição das reportagens violentas, de forma que essas sejam veiculadas desprovidas de emotividade. Assim, diferente da apologia de Joseph Goebbels, o país será livre da violência aguçada pela mídia.