Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/01/2021
A política do “pão e circo”, no período do Império Romano, foi um evento histórico em que homens lutavam entre si para o entretenimento de um público. Com efeito, a violência é retratada pela mídia com a mesma espetacularização e carrega consigo muitas consequências. Desse modo, a apresentação de práticas de maldade, pelos veículos de informação, provoca tanto uma cultura do ódio, quanto uma banalização do mal.
Em primeira análise, a transformação de atos violentos em “show” ocasiona uma cultura do ódio. Isso é evidente ao observar-se que os programas midiáticos, ao mostrar diariamente cenas trágicas, com um culpado, provocam nas pessoas um sentimento de raiva. Isso pode gerar no espectador um sentimento de vingança, e se manifestar nas ações públicas, como ocorreu com uma mulher, que foi morta por um grupo de pessoas, em Guarujá, no Estado de São Paulo, após um boato de que ela era uma bruxa sequestradora. É indubitável, portanto, que essa exposição exagerada da violência deve ser debatida e reduzida.
Em segunda análise, a grande repercussão das ações de maldade, nos meios midiáticos, influem na banalização do mal pela sociedade. Isso é notório ao observar-se que ao apresentar essas práticas em horários de descanso da população brasileira, o homem associa a imagem de violência ao lazer e fazem delas cenas comuns. Assim, esses casos tornam-se um entretenimento social, como ocorreu com a política do “pão e circo” no período do Império Romano. É inegavel, dessa maneira, que deve-se intervir socialmente para dissociar a imagem do mal à normalidade de um país.
Diante do exposto, a cultura do ódio e a banalização do mal são consequências da espetacularização da violência pela mídia. Logo, o governo federal e as emissoras de televisão, como responsáveis da formação sociocultural, devem criar a Lei “Menos violencia”, em que os canais televisivos deverão noticiar a violência a partir das 23 horas, para os telespectadores, com o propósito de “romper” com a normalização do mal e do ódio. A partir disso, será possível evitar casos como o de Guarujá.