Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/01/2021

Segundo Pierre Bordieu, aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Contrariamente ao conceito supracitado, parte da mídia brasileira presta um desserviço aos cidadãos ao fomentar a espetacularização da violência no país, que persiste intrínseca à sociedade devido a fatores socioculturais e à falta de empatia.

A princípio, é fundamental compreender o contexto sociológico que engloba a problemática. Para Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nesse âmbito, destaca-se que indivíduos desenvolvidos em um cenário de constante exposição ao hodierno sensacionalismo midiático, que explora a exacerbada divulgação da violência, tendem a perpetuar o interesse público por tal conteúdo. Assim, incentiva-se um panorama de normalização da violência, que dessensibiliza a sociedade perante atrocidades.

Em segunda análise, é substancial atentar-se à ausência de empatia presente em parcela dos jornalistas. Conforme Mozi, filósofo chinês, a empatia é crucial para os melhoramentos sociais. Em contrapartida, é inegável que há um insensível aproveitamento da dor de vítimas de violência por parte de algumas esferas da comunidade jornalística, em virtude do anseio por audiência. Esse comportamento é prejudicial aos telespectadores, ao passo que promove o ideal de “banalidade do mal”, explicado com maestria por Hannah Arendt.

É evidente, portanto, que tais entraves devem ser solucionados. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério das Comunicações, amplie o estudo da matéria de ética jornalística nas universidades públicas e privadas, a fim de conscientizar futuros comunicadores sobre a relevância do assunto discutido, por meio de palestras e campanhas publicitárias realizadas por reconhecidas personalidades do jornalismo nacional.