Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 12/03/2021

Na trilogia de “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins, o Estado autoritário de Panem contém os motins populares por meio da repressão e da realização dos chamados Jogos Vorazes. O evento anual é televisionado e a violência selvagem imposta aos participantes é construída de modo a aparentar culpa dos distritos. Fora da ficção, a realidade apresentada não se difere, visto que, a mídia é a arma mais poderosa de uma sociedade, e após a Constituição de 1988 foi proibido qualquer tipo de censura contra essa rede de comunicação. Atualmente, a mídia tornou-se palco de espetacularização da violência e banalização da vida. Isso ocorre tanto pela necessidade de atingir um maior público quanto pela falta de limitação de conteúdo. Nesse viés, medidas são necessárias para a resolução desse problema.

Em primeira análise, com o avanço tecnológico após a Revolução Industrial do século XVIII, o sistema de comunicação se tornou de extrema importância por ser responsável em transmitir propagandas políticas, entre outros. Entretanto, a rede se tornou palco de inúmeros assuntos, onde a violência destaca-se como um dos principais. A abordagem dessa bestialidade em troca de audiência, acarreta diretamente no público que se dispões na frente da televisão. Muitas pessoas adquirem negativamente a exposição de informações agressivas, e são influenciados a praticar tal ato. Além disso, segundo o jornalista “Reinaldo Azevedo”, em uma coluna da “Revista Veja” - a vida humana parece ter menos valor a cada dia. Nesse sentido, é inquestionável a colaboração da mídia para esse fato, visto que, filmes e reportagens cada vez mais agressivas e violentas colaboram para a banalização da vida.

Em segunda análise, de acordo com uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil ocupa o 6 lugar no ranking de países mais violentos. Assim sendo, a falta de limitação de conteúdo exposto pela mídia incentiva as pessoas a se adaptarem àquilo que é exposto por ela. Muitas vezes, crianças e adolescentes acabam assistindo cenas violentas impróprias na rede de comunicação, o que dispõe muitos danos psicológicos no futuro, e até mesmo praticar o tal ato visto. Como afirma o filósofo inglês John Locke: “O homem nasce como uma folha em branco”. Sendo assim, a mídia é responsável por elevar o patamar da sociedade por meio da exposição de fatos desenvolvedores, e que contribui para a formação do ser humano e não pela aplicação de informações violentas em troca de publicidade.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir os impactos da espetacularização da violência pela mídia na sociedade. Desse modo, é imprescindível que o Estado através do Poder Legislativo, crie leis mais rígidas que regularize a apelação midiática em reportagens sobre violência, de modo a diminuir o espetáculo da tal. Somente assim, essa problemática se reduzirá.