Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/03/2022

Durante o período do Renascimento Cultural, manchetes eclodiam exibindo os terrores noturnos, os quais geraram uma demanda altíssima por iluminação pública, o que corroborou para tornar Paris a famosa “cidade luz”. Nesse viés, o Brasil hodierno remonta o contexto renascentista diariamente, com uma mídia a qual se alimenta do medo e da violência espetacularizada e os repassam para os

milhões de cidadãos canarinhos. Dessa forma, é cristalino perceber que essa pro- blemática advém da necessidade de lucro exorbitante e de uma indústria altamen- te massificada.

Primeiramente, na obra “Medo Líquido”, o célebre filósofo Zygmunt Bauman conceitua o medo secundário, o qual é uma insegurança que foi imposta por um a-

gente externo. Consoantemente, esse fator exterior na maioria das vezes é a mídia, principalmente a do período pós-moderno, já que essa exibe de forma escancarada todo tipo de violência. Por conseguinte, essa irresponsabilidade midiática corrobo-

ra o pavor social e gera uma procura enorme por artigos de segurança, o que cau-sa grandes lucros para a própria mídia, a qual anuncia esses produtos.

Outrossim, para Adorno, expoente da Escola de Frankfurt, existe uma Indús-

tria Cultural altamente massificada e padronizada. Nesse contexto, a indústria de massa propõe-se a trazer entretenimento rápido e de pouco valor cultural. Com e-

feito, os meios midiáticos utilizam a violência para trazer esse conteúdo de massa, pois essa atrai os olhares de boa parte da população. Contudo, esse fenômeno é perigoso, já que exibir atos violentos sem o menor cuidado e estudo prévio pode acabar tornando comuns essas práticas ou até mesmo popularizá-las.

Destarte, são necessárias ações concretas para coibir a espetacularização da violência. Desse modo, o poder público, por meio do Ministério da Cultura, deve re-

gulamentar a forma que casos violentos devem ser exibidos, prezando pela res-

ponsabilidade social. Para tanto, isso pode ser realizado com a utilização de multas para conteúdos os quais apresentem crimes violentos na íntegra, os quais devem ser classificados para que não ocorram arbitrariedades dos agentes reguladores. Assim, é possível afastar-se de uma sociedade pautada pelo medo.