Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 12/04/2021
No livro “Utopia”, de 1516, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela, pontua-se a ausência de conflitos e de adversidades, o que vem, desde então, inspirando as civilizações ocidentais. Contudo, as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira têm feito o Brasil se afastar desse lugar utópico. Nesse prisma, é necessário analisar a busca pela rapidez e pela comoção que os veículos comunicativos têm ao divulgarem as notícias no país.
Nesse contexto, sabe-se que a “Cultura do Imediatismo”, analisada pelo escritor norte-americano Douglas Rushkoff, é caracterizada pela vivência do “presentismo”, motivado pelas redes sociais, em que há o anseio por respostas a todo o momento. De maneira análoga, é observado nos veículos de comunicação brasileiros a necessidade de divulgação das notícias rapidamente, especialmente aquelas que retratam crimes impetuosos, para que os canais possam se mostrar mais eficientes do que os demais concorrentes. Entretanto, é perceptível, frequentemente, a divulgação de informações errôneas, que contribuem para a distorção do fato e a exaltação dos criminosos, o que torna a fonte informativa inconfiável e descumpre o papel da mídia - assegurar conhecimento para a população -, o que urge mitigação.
Além disso, pode-se entender que conforme a teoria da “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo francês Guy Debord, o “espetáculo” é definido pelo conjunto de relações mediadas por imagens que visam alcançar a aprovação da sociedade. Essa questão pode ser observada na violência espetacularizada tupiniquim, uma vez que muitos programas televisivos investem na transmissão de cenas de crimes intensos, retratando cenas de tristeza e luto, objetivando maior audiência e comoção dos telespectadores, sem considerar a dignidade das pessoas retratadas na matéria. Assim, nota-se a falta de empatia e cuidado na produção das notícias e reportagens, podendo, muitas vezes, exaltar a violência, o que deve ser solucionado.
Torna-se evidente, portanto, que, para que as consequências negativas da espetacularização da violência pela mídia brasileira sejam solapadas, medidas exequíveis são necessárias. É imprescindível, nesse sentido, que o Governo invista na criação de um órgão regulamentador da mídia, por meio de verbas oriundas do combate à corrupção - como a Operação Lava-Jato, com o fito de assegurar que as notícias respeitem os direitos humanos e que não exaltem a violência. Assim, o Brasil aproximar-se-á da utopia descrita por Thomas Morus.