Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/06/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6º os direitos a segurança e a saúde como inerentes a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática ao observar as consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira que tem como origem da falibilidade legislativa e a falta de debate sobre o tema o que acaba dificultando, deste modo, a universalização desses direitos sociais tão importantes. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o crime como palco na mídia. Nesse sentido, se as pessoas ao assistirem reportagens relacionadas a crimes com constância nos meios de informação, essas terão a sensação de falta de segurança e impotência, pois não se sentirão bem em sair de casa em um lugar que o caos está instalado, logo, a saúde mental das pessoas é afetada. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança e a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a falta de debate com relação a espetacularização da violência como impulsionador do problema no Brasil. Frida Kahlo, importante pintora mexicana, ao fazer de diversas maneiras e estilos o seu autorretrato mostrou a importância de se rever de inúmeras perspectivas um problema para que se possa mitiga-lo ou até chegar a alguma solução. Diante de tal exposto fica evidente que a população brasileira tem, por obrigação, dialogar sobre os crimes e a posição da mídia. Nesse sentido, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Tribunal de Contas da União, direcione capital na criação de campanhas que mostrem para a população que o mundo não está perdido como é mostrado pela mídia através do sensacionalismo, a fim de reduzir os impactos causados pela espetacularização da violência. Além disso, que o Poder Executivo exerça - com efetividade - o que já existe na legislação, para que os crimes ocorram com menos frequência, dessa forma, a mídia terá dificuldade em dar palco para isso e dará foco para exercer seu papel fundamental como formadora de opiniões. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.