Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 25/06/2021
Na Antiguidade Romana, eram comuns eventos de batalhas entre gladiadores, os quais usavam a violência para distrair a população dos problemas sociais da civilização. Hodiernamente, a situação é semelhante, uma vez que a transmissão constante da violência como atração principal dos noticiários brasileiros é baseada em interesses, o que traz consequências para a população. Faz-se necessário, então, discutir acerca da temática da espetacularização da violência, a fim de encontrar maneiras de cessá-la no país.
Inicialmente, cabe destacar a relação de interesses que motiva a espetacularização da violência na mídia do Brasil. Para Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é visto como o “homem cordial”, ou seja, aquele que usa mais a emoção que a razão. De fato, o uso de acidentes, homicídios e outras formas de violência como atração frequente na mídia mexe com a curiosidade e comoção dos espectadores, atraindo maior audiência e, consequentemente, o lucro. Como resultado, tem-se a ênfase na transmissão desse tipo de notícia, geralmente com abordagem apelativa e dramática, o que afasta a mídia da sua principal função: informar.
Outrossim, essa prática traz sérias consequências para a sociedade. No conceito de “banalidade do mal”, Hannah Arendt afirma que, quando a sociedade está constantemente exposta a situações violentas, ela para de vê-las como um problema. Nesse sentido, a espetacularização da violência tente a anestesiar a população, que passa a normalizar e aceitar essa problemática. Ademais, não é incomum a diferença de tratamento ao noticiar crimes de pessoas brancas ou negras, estas sempre tratadas com adjetivos que condenam, aquelas com adjetivos que apenas suspeitam. Tudo isso vai ao encontro da ideia de Adorno, que afirma que a mídia força ideias que tiram a liberdade de pensamento, e mostra que a exibição da violência como um show pelas mídias tende a manipular e limitar a capacidade crítica e de ação dos espectadores.
Portanto, é urgente medidas governamentais para a regulamentação da transmissão desse tipo de notícia. Para isso, o poder legislativo deve criar um projeto de lei que dê limitações e orientações sobre a melhor forma de transmitir esse tipo de notícia, de modo que seja noticiado sem exageros e apelos dramáticos, além de trazer punições para o descumprimento das normas. Ademais, as escolas têm papel fundamental na criação do pensamento crítico, por isso, é importante que sejam realizadas discussões em sala de aula sobre o tema da espetacularização da violência, a fim de ensinar os alunos a identificarem esse tipo de abordagem e a procurarem fontes de notícias mais neutras. Com essas medidas, será possível reduzir a espetacularização da violência pela mídia brasileira.