Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 28/07/2021
Cidade Alerta, Brasil Urgente, Polícia 24 horas … São exemplos de jornais na “TV aberta” que utilizam a falta de imparcialidade e a violência para a realização de verdadeiros espetáculos. O sensacionalismo e a manipulação da notícia, tão comuns nesse gênero noticiário, inflamam o telespectador e trazem consequências danosas à sociedade. Isto por que a mídia não só informa, mas também forma opiniões, essas muitas vezes determinadas pelos interesses das emissoras.
Ultimamente a mídia apresenta grande importância política, social e econômica, porém pode moldar opiniões ao ínves de apenas informar. Conforme Pierre Bourdie, a opinião pública é o reflexo da mídia, portanto, a manipulação da informação e o sensacionalismo promovido nesses programas colaboram para ampliar o medo da população. Assim, esse temor torna-se uma estratégia de controle, já que cria esteriótipos de locais e indivíduos; como ocorre frequentemente com a favela, sempre demonizada pela mídia, assim como o baile funk.
Ademais, a notícia televisionada instantaneamente é alvo de análises sem fundamentos, uma vez que os fatos estão ocorrendo naquele momento. Embora um dos princípios do jornalismo seja a imparcialidade, muitos apresentam seu parecer carregados de pré-julgamentos, como aconteceu quando o réporter da Record acusou o roubo de uma moto em imagens ao vivo de um baile funk, o Detran desmentiu, a moto estava regular. Isso mostra o despreparo e a falta de competência e finalidade desses noticiários.
É importante ressaltar que para obter audiência é necessário prender a atenção do público, nesses casos usando a estratégia de inflamá-los. Se na constituição há a presunção de inocência e nesse conteúdo midiático o suspeito é tratado como culpado, haverá difamação e risco de linchamento caso seja absolvido. Como ocorrido em 2014 quando uma mulher foi agredida ao ser confundida com uma sequestradora de crianças da região litoral braileira, após sair em jornais televisivos locais uma caracterização da suspeita feita de forma irregular. Esses acontecimentos resultam da exposição da notícia que apela para a emoção de quem assiste.
Dssa forma, a espetacularização da violência na grande mídia traz somente negatividades. Cenas de violência e análises feitas por profissionais não capacitados devem ser coibidos pelo Ministério da Comunicação. É preciso ter uma regulamentação da mídia brasileira, principalmente nesses programas que exploram a violência e fazem terrorismos diários na televisão. Assim, o verdadeiro jornalismo, imparcial e sem sensacionalismo, será apresentado para a população, que será verdadeiramente informada.