Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/06/2021

Ao final do século XX e início do século XXI houve o fenômeno da popularização dos meios informacionais no Brasil, expandindo o alcance jornalístico por meio do rádio, da televisão e da internet. Entretanto, nota-se contemporaneamente, que a mídia brasileira se preocupa mais em noticiar de forma rápida e sensacionalista do que de forma verídica. Tal fato se justifica porque notícias de crimes violentos são repassadas publicamente sem uma investigação profunda do ocorrido, além disso ocorre também a espetacularização das vítimas e seus sofrimentos.

A príncipio, é preciso elucidar que informações de delitos violentos geram grande comoção e curiosidade  popular,  tornando os meios midiáticos mais preocupados em noticiar em “primeira mão”, assim conquistando o telespectador, do que em procurar e informar a verdade. Segundo cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), situado nos Estados Unidos, notícias falsas se propagam 70% mais rápidas que notícias verdadeiras. Nesse contexto, percebe-se uma mistura perigosa entre imediatismo midiático e o poder de propagação da mentira, resultando em catástrofes violentas como da moradora de Guarujá - SP, que acusada falsamente de praticar mágia negra em crianças, foi linchada e morta pela população, a qual agiu motivada por uma notícia falsa publicada em uma página virtual.

Outrossim, pode-se notar que a mídia em geral trata as condições das vítimas violentadas e seus parentes , em profundo estado de emoção, como um espetáculo público.  De acordo com a revista Carta Capital, em 2014 um programa televisivo chamado Cidade 190, apresentado em Fortaleza - CE, foi multado pela justiça por exibir durante 20 minutos cenas de estupro de uma criança. Logo, fica claro que muitos interesses jornalísticos não coadunam com a responsabilidade social da profissão, excluindo o tratamento humano do indivíduo e o compromisso da verdade em prol de um maior número de espectadores.

Desse modo, faz-se necessário criar medidas que assegurem o ofício sério e humanizado do jornalismo brasileiro. Para isso, é necessário que o Conselho Federal de Jornalismo (FENAJ), por meio de fiscalizações rotineiras dos canais de comunicação dos jornalistas brasileiros, certifique-se do trabalho correto desses profissionais, agindo contra as ações antiéticas, para que assim, o compromisso da imprensa seja apenas a verdade. Ademais, é necessário que o Ministério Público acione na justiça programas televisos que banalizam o sofrimento das vítimas, dessa maneira, humanizando o modo de fazer notícias. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que o compromisso da mídia seja informar o povo de forma consciente e verídica.