Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 06/07/2021
Ao final do século XX e início do século XXI, houve o fenômeno da popularização dos meios informacionais no Brasil, expandindo o alcance jornalístico por meio da rádio, da televisão e da internet. Entretanto, nota-se, contemporaneamente, que a mídia brasileira se preocupa mais em noticiar de forma rápida e sensacionalista do que de forma verídica. Tal fato se justifica porque notícias de crimes violentos são repassadas publicamente sem investigações profundas do ocorrido, além disso, ocorre também a espetacularização das vítimas e seus sofrimentos.
A princípio, é preciso elucidar que informações de crimes violentos geram grande comoção e curiosidade popular, tornando os meios midiáticos mais preocupados em noticiar em “primeira mão”, assim, conquistando o telespectador do que em procurar e informar a verdade. Segundo cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), situado nos Estados Unidos, notícias falsas se propagam 70% mais rápidas que notícias verdadeiras. Nesse contexto, percebe-se uma mistura perigosa entre imediatismo midiático e o poder de propagação da mentira, resultando em catástrofes violentas como a de uma moradora de Guarujá - SP, que acusada falsamente de praticar magia negra em crianças, foi linchada e morta pela população, a qual agiu motivada por uma notícia falsa publicada em uma página virtual.
Outrossim, pode-se notar que a mídia em geral trata as condições das vítimas violentadas e seus parentes, em profundo estado de emoção, como um espetáculo público. De acordo com a revista Carta Capital, em 2014, um programa televisivo chamado Cidade 190, apresentado em Fortaleza - CE, foi multado pela justiça por exibir durante 20 minutos cenas do estupro de uma criança. Logo, fica claro que muitos interesses jornalísticos não coadunam com a responsabilidade social da profissão, excluindo o tratamento humano do indivíduo e o compromisso com a verdade em prol de um maior número de espectadores.
Desse modo, faz-se necessário criar medidas que assegurem o ofício sério e humanizado do jornalismo brasileiro. Para isso, é necessário que o Conselho Federal de Justiça (FENAJ), por meio de fiscalizações rotineiras dos canais de comunicação dos jornalistas brasileiros, certifique-se do trabalho correto desses profissionais, agindo contra ações antiéticas, para que, assim, o compromisso da imprensa seja apenas a verdade. Ademais, é necessário que o Ministério Público acione na justiça programas televisivos que banalizem o sofrimento das vítimas, dessa maneira, humanizando o modo de fazer notícias. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que o compromisso da mídia seja informar o povo de forma consciente e verídica.