Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 16/07/2021

No livro “A Sociedade do Espetáculo”, o escritor Guy Debord faz uma análise do mundo contemporâneo e evidencia a espetacularização da realidade. Sob essa óptica, pode-se perceber, nitidamente, a teoria proposta nesta obra no cenário hodierno, porquanto a humanidade vivencia um período em que há a exposição de todos os acontecimentos, sendo um deles a violência. Logo, como consequência da sociedade midiática que exibe essa brutalidade, é notório o crescimento de casos de agressões e da banalidade da vida. Destarte, faz-se mister a análise dessa conjuntura com o intuito de expurgar atos violentos.

Em primeira análise, convém ressaltar que a espetacularização da violência alicerça a banalidade da vida, uma vez que a mídia traz esse crime como uma normalidade. Desse modo, o episódio “White Bear”, da série norte-americana “Black Mirror”, retrata a transformação da punição de uma assassina em um show em que, mesmo vendo o sofrimento e a dor da protagonista, os telespectadores continuam apoiando e se divertindo com essa atração. Sendo assim, é possível inferir que essa obra ficcional é uma representação da contemporaneidade, tendo em vista que, assim como na série, as pessoas estão acomodando-se com a morte e divulgando-a. Por conseguinte, é fulcral que haja a alteração desse quadro.

Outrossim, é imperioso citar que a mídia possui uma enorme influência na vida dos cidadãos e contribui para moldar os comportamentos sociais. Dessa forma, a frase contida no livro “1984”, de George Orwell, “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”, exemplifica o importante papel que essa instituição exerce, visto que ela é responsável pelo noticiamento e, consequentemente,  pela formação da opinião e do caráter da população. Portanto, ao ela exibir, constantemente, casos de crueldades, isso acarreta no aumento do número de agressões. Dessarte, é inexorável que os meios de comunicação não pensem somente na audiência, e sim nas consequências das notícias que eles disseminam.

Urge, portanto, medidas que possam mitigar a espetacularização da violência pela mídia brasileira. Para tanto, é incumbência do Poder Legislativo impor limites ao sensionalismo jornalístico, por meio da criação de leis rígidas em relação a exposição de brutalidades, a fim de diminuir atos violentos. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Educação tente acabar com a banalização da violência, por intermédio do ensino nas escolas da valorização da vida e dos direitos à privacidade que se deve ter nas redes socias, com o intuito de evitar que esses jovens auxiliem na divulgação de crimes e na manutenção da sociedade do espetáculo.