Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/07/2021

O desenvolvimento da prensa, por Gutemberg no século XVI, favoreceu o difusão de informações e revolucionou a sociedade. Nesse contexto, conforme destaca o geógrafo brasileiro Milton Santos, o processo de globalização nas últimas décadas foi fator propulsor dos meios de comunicação. A mídia, por sua vez, além de comunicar traz à tona diversos debates, tais como: as consequências da espetacularização da violência, muito em voga no Brasil. Outrossim, os princípios éticos do jornalismo estão sendo questionados. Logo, a premissa de maior do “vale tudo” pela audiência, pode remeter a criação de um estado de pânico coletivo, discursos de ódio e aumento da violência no país.

Em primeiro momento, é nítido o crescimento da redes de comunicação no Brasil. Segundo dados do Ministério das Comunicações do ano de 2020, os números de canais de televisão abertos cresceu em mais de 70% nos últimos vinte anos. Nessa conjuntura, a liberdade de propagação da informação é preceito constitucional básico. Contudo, a ética profissional parece ser negligenciada por parte de alguns profissionais que veem a busca por audiência, patrocinadores e, consequentemente, pelo lucro como princípio fundamental. Na década passada, por exemplo, a jornalista Sônia Abrão, ligou ao vivo para um sequestrador que mantinha sob cárcere uma jovem, interrompendo o processo de intermediação policial e causando pânico nos espectadores e nos familiares envolvidos no caso.

Ademais, a prática massiva e agressiva da espetacularização da violência nos canais midiáticos, gera a difusão de discursos de ódio que podem culminar na violência física, podendo ser letal para os indivíduos. Recentemente, a perseguição de um matador em série, conhecido como Lázaro, moveu não só as equipes policiais, mas as redes de TV, rádio e páginas das redes sociais em um “circo midiático”, no qual a informação deu palco à propagação de falas odiosas e sede pela chamada justiça com as próprias mãos. Além disso, é necessário ressaltar que práticas criminosas motivadas por revanchismo cresceram em mais de 20% no Brasil apenas no de 2020, conforme dados da Secretaria Segurança Pública. Vê-se, portanto, que práticas irresponsáveis dos mecanismos de comunicação podem contribuir para o aumento desses dados.

Portanto, cabe ao Estado, por meio das Secretarias de Comunicação, regularem a propagação de notícias falaciosas, monções de ódio e debates que firam, ou que possam ferir, a integridade de um indivíduo ou da coletividade. Para tanto, é necessário que seja estabelecido um canal de denúncias no qual o espectador atue como copartícipe na fiscalização de crimes. Dessa forma, poderá acompanhar, após a denúncia, da continuidade de um processo administrativo que, pelo devido processo legal, estabelecer punições à mídia antiética e mentira. Contribuindo assim, para minimizar tais fatos.