Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/07/2021

No período da Roma antiga, ou até antes, várias culturas apresentavam a violência como forma de entretenimento. Como exemplo disso temos o coliseu romano, um espetáculo de brutalidade que alimentava a população com a política do “pão e circo”, e assim normalizava a agressividade, tornando-a um problema que logo se agravaria. De maneira análoga, a mídia brasileira insere a violência e o crime no cotidiano populacional como ações comuns. Assim, a espetacularização da violência exposta nos meios de comunicação, bem como a naturalização da violência pelo corpo social são aspectos motivadores desse cenário.

Desde já, a utilização de violência e degradação moral pela mídia ocorre com o intuito de chamar atenção. Visto que acontecimentos mais chocantes acabam por gerar mais audiência por provocar um grande impacto no público. Este tipo de espetacularização pode ser observada em vários programas ou documentários criminais ou policiais, que envolvem tanto processos de prisão quanto a exposição de armas, brigas e muitas vezes mortes. Desse modo, a intencionalidade de empresas jornalísticas além de manter a população informada em tempo real é também garantir o máximo de audiência, o que, acaba por agravar os casos de violência, em virtude da mesma ser algo cotidiano.

Por conseguinte, a sociedade naturaliza a violência exposta e, logo, perde a capacidade crítica diante de problemas reais. Como pova disso, podemos aplicar a frase de Karl Max, na qual o homem é fruto do meio onde vive, no qual o mesmo o molda. Ou seja, se um indivíduo acompanha essas exposições diariamente, tende a se acostumar e se moldar para que sobreviva no ambiente onde se encontra. Nesse sentido, persiste um ciclo intermitente: o povo aceita e consome a violência exposta e, assim, a mídia continua produzindo o “espetáculo”.

Portanto, podemos concluir que a demasiada exposição de atos violentos e coisas relacionadas nos meios de informação e redes sociais finda por intervir no aumento de criminalidades e na aceitação da violência em sociedade. Nesse sentido cabe as produtoras de mídias diminuir e fiscalizar conteúdos que possam ser considerados intensos e sugestivos a agressividades. Além de obras do Governo para que escolas e campanhas possam conscientizar sobre a violência, além do incentivo dos pais aos filhos para que evitem tais ações.  Então, assim poderemos garantir que os casos de brutalidade diminuam e que “espetáculos” como os do coliseu na atualidade não sejam mais apreciados e possa se enxergar a verdade sobre eles.