Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/08/2021
Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, a imperialização historicamente construída do medo à violência, em contraposto à influência de uma mídia capitalista, revelou um cenário marcado pela banalização da vida, consequente à consolidação da violência como um fato social que infringe os limites dos direitos humanos. Logo, destacando um complexo dilema sociocultural brasileiro contemporâneo.
Em primeiro plano, cabe destacar o estigma social referente ao histórico de posturas violentas. O processo de colonização brasileira foi impulsionado pela necessidade de novos mercados em que se utilizou de práticas de dominação dos habitantes locais extremamente violentas. Mesmo após a Proclamação da República, em 1988, a violência permaneceu como um instrumento do Estado, sendo combatido constitucionalmente apenas na Constituição de 1988. Essas lógicas refletiram na sistematização de padrões culturais marcados por tendências a posições autoritárias, além de representarem elementos que foram incorporados à índole do brasileiro. Desse modo, haja visto que esse processo atinge todas as organizações da sociedade, destaca-se o caráter estrutural dessa questão.
Ademais, deve-se considerar o impacto da mídia comandada por valores capitalistas na sociedade moderna. A Era Digital é marcada pela supressão do meio físico, sendo a mídia um dos protagonistas desse processo. Tal seguimento aconteceu simultaneamente ao advento do capitalismo, em que se estabeleceu a soberania coercitiva da valorização extrema pela busca pelo lucro. Assim, em uma sociedade que cultua a agressividade, a espetacularização da violência representa um mecanismo estratégico de acúmulo de riquezas que, ao desrespeitarem o valor humano, infringem os limites de uma sociedade humanizada democrática.
Portanto, torna-se evidente entraves que necessitam ser revertidos. Na sociedade contemporânea a mídia, devido ao grande impacto na opinião pública, compõe, extraoficialmente, o quarto poder na estrutura política. Entretanto, é indispensável que se estabeleça um mecanismo de gerenciamento das redes de comunicação na demanda por transparência. Para tal, o Poder Judiciário, setor responsável por direcionar a aplicação das leis dentro dos princípios constitucionais, deve criar uma estrutura reguladora dos meios de comunicação, com o objetivo de conter o excesso da valorização de notícias que explorem a brutalidade, estabelecendo limites mais rigorosos na veiculação de imagens marcados por atos violentos. Destarte, visando coibir, em um método isonômico, o desrespeito pela vida e incentivar a prevalência da coesão democrática humanizada.