Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 18/08/2021
Lázaro Barbosa, 32 anos. Infame criminoso que cometeu diversos delitos que culminaram em uma perseguição de 20 dias, em 2021. Eloá Cristina, 15 anos. Vítima de feminicídio, foi feita refém em sua própria casa, em 2008, em um sequestro que durou mais de 100 horas. Indivíduos de caráter distintos, separados pelo tempo e pelas circunstâncias que são interligados por uma única conjunção, a espetacularização midiática de seus casos criminais. Em ambas circunstâncias, a busca por audiência superou o código de ética e tornou-se inconstitucional ao descomedir-se, além de incutir o medo e promover o populismo penal midiático.
A mídia tem, na teoria, o papel de intermediário entre o emissor e o interlocutor, sendo o canal para emissão da mensagem. Porém, sob a perspectiva do corpo social, é um agente regulador, no qual pode sugestionar ideias ou opiniões já formadas sobre pautas relevantes. Ou seja, apesar de se autodenominar intérprete das massas, este conjunto de meios de comunicações visa os seus próprios interesses. Esta característica fica evidente no caso Eloá, no qual uma jornalista entrevistou o carcereiro ao vivo, interferindo no processo de resgaste das vítimas e apreensão do algoz, a fim de obter telespectadores. No documentário Quem Matou Eloá?, que analisa o caso, fica evidente culpabilidade dos canais de comunicações que reproduziu de forma midiática, naturalizou e transformou em um espetáculo a violência cometida a vitima a prol da audiência.
Ademais, com finalidade de direcionar as massas para alcançar seus interesses, a mídia abre portas ao sensacionalismo, incitando o temor por intermédio da midiatização da violência. Analogamente ao caso Lázaro, as redes de comunicações, através de um discurso exaltado, no qual propicia convicções deturpadas, instigam medidas punitivas e imediatistas como respostas a sensações de medo vivenciada pela população, configurando o populismo penal midiático. Que demonstra um teor idealizado, ao propor soluções fáceis a problemas complexos e que posteriormente, mostram-se ineficazes.
Portanto, para que as consequências da espetacularização midiática no Brasil sejam atenuadas, cabe ao Ministério Público aferir a denúncia e desta forma, a fim de garantir os direitos e preservar os deveres das partes envolvidas, promover a defesa do consumidor. Além disto, compete ao Ministério da comunicação promover o estudo e aplicação do código ético aos veículos de comunicações, por meio de congressos e palestras. E subsequentemente, viabilizar campanhas de conscientização à sociedade, com intuito estimular o pensamento crítico. E desta forma, possibilitar uma sociedade justa e comedida, com pluralidade de opiniões, que propicia um futuro favorável.