Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 03/09/2021
Após o fim do governo Vargas, o então presidente cometeu suicídio e causou grande comoção nacional. Sendo assim, os veículos midiáticos se aproveitaram da situação para atacar partidos opositores a Getúlio quando chefe de Estado, manipulando a população e assim, transformando-o em um dos principais personagens da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Dessa forma, esta prática acarreta na dominação dos sentimentos dos habitantes, e também transforma a atividade da violência como fator impulsionador de audiência.
Em primeira análise, é indubitável que a imprensa verde e amarela exerce influência na mentalidade social quando se trata de episódios violentos. Sob essa ótica, segundo o pensador John Locke, a sociedade é como uma tábula rasa, a qual a experiência molda os valores e concepções de mundo. De maneira análoga, esta realidade perdura no Brasil, haja vista que os veículos midiáticos estão por todas as partes do país e são a principal fonte de informação da população. Sendo assim, a forma como casos envolvendo violência são retratados por esses meios de comunicação gera sentimentos de medo e angústia nos cidadãos. Dessa maneira, a população se vê refém de uma mídia espetacularizante, pois é uma das únicas a qual essa têm acesso.
Outrossim, destaca-se a necessidade da promoção de episódios violentos como forma de geração de audiência para as mídias. Sob esse viés, o caso do assassino Lázaro Barbosa em 2021 deixou evidente o desejo da autopromoção por parte das equipes de busca organizadas pela polícia e pelos veículos de comunicação. Desse modo, o chefe da operação concedia quatro a cinco entrevistas com a imprensa por dia, mesmo com poucas pistas de onde Barbosa estivesse. Sendo assim, esta situação ainda é presente na terra verde e amarela, uma vez que a população deseja saber o que acontece no mundo em tempo real, a fim de se preparar para alguma eventualidade; a mídia utiliza-se desse desejo e promove episódios ligados à violência a fim de que o espectador continue consumindo o seu produto. Logo, os veículos midiáticos continuam a espetacularizar esses casos.
Em suma, a promoção da violência pela mídia brasileira manipula a população e transforma a exibição de incidentes como fator de audiência. Portanto, cabe ao Congresso Nacional aprovar uma lei que regularize o compartilhamento de informações pelas mídias tupiniquins. Isso será feito por meio da aplicação de multas, coordenadas por profissionais que agirão de forma imparcial, a veículos que promovam informações ligadas à situações violentas de maneira irresponsável e manipulativa, a fim de melhorar a qualidade dos conteúdos compartilhados e garantir o bem- estar social.