Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/09/2021
O coliseu, foi palco de disputas sanguinárias que entretiam a população de Roma, no qual o espetáculo era a violência explícita. De maneira análoga, a categoria torpe da mídia brasileira exibe violência como forma de entretenimento, apenas para vender anúncios. Frequentemente, a divulgação de crimes bárbaros atraem espectadores, porém, as vítimas da violência são tão irrelevantes, apenas o espetáculo importa. Diante disso, as consequências da espetaculização da violência são nocivas, e perpassam pela naturalização de crimes e a banalização do mal causado pela mídia desse ramo.
Nesse contexto, o uso de casos policiais tem se tornado comum na competição de audiência entre canais de TV e sites sensacionalistas. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, os fatos sociais são um conjunto de normas sociais que impõem força coercitiva aos indivíduos. Portanto, ao ler, ouvir ou assistir notícias sobre violência, os transeuntes irão reagir de acordo com os padrões sociais: primeiro se surpreendem, mas logo se esquecem da gravidade dos fatos conhecidos. Dada a fluidez do mundo contemporâneo, a domesticação desse tipo de informação é uma realidade, e a complexidade de refletir os fatos veiculados pela mídia perdeu o sentido.
Além disso, a mídia do programa não percebeu o impacto da falta de conscientização e responsabilidade na divulgação dos textos das notícias. Portanto, é aceitável usar crimes como assassinato e estupro para obter lucro. Portanto, a filósofa Hannah Arendt escreveu “The Evil of Eichmann” depois que um burocrata nazista foi julgado. Ele alegou ser inocente porque nunca matou judeus diretamente. Basta executar a ordem sem criticar. Portanto, a mídia sem padrões éticos e críticos confirma a banalidade do mal para ganhar mais público e lucro, como disse o cantor Emicida: “As pessoas veem as coisas, suas mentes mudam passos”.
Conclui-se que é preciso mudar a situação da mídia brasileira para conter suas consequências sociais. A mídia real precisa atingir mais públicos-alvo por meio da divulgação de notícias e reportagens cobrindo todos os fatos, por meio das redes sociais e dos canais tradicionais, para que a sociedade possa de fato refletir de forma crítica sobre a informação consumida e seu impacto. Finalmente, como um ginásio em ruínas, a mídia desajeitada servirá como um lembrete histórico dos males da glorificação da violência.