Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/09/2021

Os países latino-americanos estão fazendo de tudo para inibir o aumento da violência, em todas as suas formas. Entretanto, o Brasil parece não fazer o mesmo, ocupando a sexta posição no ranking mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que sugere que os esforços do governo brasileiro não têm sido suficientes para trazer segurança à sociedade, sendo os jovens as principais vítimas.

Primeiramente, a mídia usa a violência e a degradação moral como um espetáculo. Isso porque, claramente, é o que mais gera audiência, por provocar um grande impacto no público. Um exemplo dessa espetacularização da violência é o programa “Polícia 24h”, mostrando em primeira mão o processo de aprisionamento de pessoas que causaram algum mal a sociedade, expondo ao público armas, brigas e muitas vezes mortes. Isso causa na sociedade graves efeitos, já que a violência tende a se tornar algo cotidiano.

Desse ponto de vista, associar diretamente a programação da mídia ao comportamento violento de grupos ou pessoas significa desviar o foco do problema, deixando de olhar as raízes mais profundas das verdadeiras causas, que incluiriam interações sociais, questões culturais, distribuição de renda, desenvolvimento e educação, por exemplo.

Assim, o fato de os indivíduos se identificarem com os conteúdos não significa que reproduzirão atitudes e comportamentos violentos, mas, antes, que tais conteúdos poderão ser entendidos ou percebidos como metáforas, as quais servirão simplesmente para direcionar suas ansiedades e pressões sociais. Ou seja, se um indivíduo acompanha essas exposições diariamente, tende a se acostumar e se moldar para que sobreviva no ambiente onde se encontra. Com isso, o divertimento em forma de violência pela mídia, causa grandes impactos.