Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 08/09/2021
Com o advento e a grande difusão das mídias, instrumentos poderosos com capacidade manipulatória e mobilizatória, ocorreu a promoção da cultura da violência, em que fatos violentos – reais ou fictícios – são amplamente divulgados para atrair massas de modo efusivo. Nesse contexto, a informação – em um nível secundário – foi desvinculada de suas principais funções: esclarecer, instruir e indagar. Posto isso, a ampla exposição de atos violentos e a sua espetacularização pela mídia brasileira são elementares na consecução não só da banalização da violência, mas também do incentivo a práticas agressivas.
A priori, é relevante mencionar a banalização da violência. Nesse sentido, de acordo com Locke, ao nascermos, somos como uma folha em branco – “tábula rasa” – que é escrita na medida em que vivemos e temos experiência de mundo. Acerca dessa lógica, uma vez que a visão de mundo se dá, sobretudo, pelas informações adquiridas nos meios de comunicação, o indivíduo é moldado segundo seus parâmetros e modelos. Sob esse viés, a abrangência e cobertura insistente de fatos violentos pode influenciar a opinião pública e orientar a decisão de alguns grupos, ou seja, interfere na formação do indivíduo e normaliza eventos brutais. Destarte, a banalização da violência é uma repercussão da espetacularização da violência pela mídia brasileira.
Ademais, cabe ressaltar o incentivo a práticas violentas. No que concerne a isso, em conformidade com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. A partir desse axioma, na situação de interação telespectador-conteúdo produzido, o indivíduo está frequentemente submetido a condutas imperativas e coercitivas e, dessa maneira, há o impacto nos valores morais, no caráter e nas qualidades de comportamento e convivência social. Sob essa perspectiva, a cultura da violência promovida pela mídia como uma resposta ao cotidiano tem o poder de influenciar a opinião pública e, assim, de incentivar práticas violentas no corpo social. Desse modo, o incentivo a práticas violentas é um efeito da espetacularização da violência pela mídia brasileira.
Portanto, é necessário atenuar a banalização da violência e o incentivo a práticas violentas. Diante disso, as ONGs de Mídia e Comunicações devem participar ativamente na mobilização do corpo social, com a elevação da informação a suas funções primárias, por meio da divulgação de campanhas e da criação de projetos - que tragam ideias que vão de encontro à espetacularização da violência pela mídia brasileira – com o fito de minimizar a exploração obsessiva da violência e seus efeitos adversos na contemporaneidade. Assim, a situação será resolvida de maneira eficaz e rápida.