Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 09/09/2021

A espetacularização da violência pela mídia brasileira apresenta consequências no cotidiano do corpo social e, por isso, urge debate. Nesse sentido, a “Globalização”, processo geográfico intensificado em 1991, reduziu as distâncias relativas por meio de avanços nos meios de transporte e comunicação. Dessa forma, noticiar eventos que ocorrem em plano nacional e internacional tornou-se simples. Todavia, como forma de ganhar audiência e lucrar, a mídia brasileira tem intensificado o tom apelativo atribuido às reportagens, principalmente quando o tema é violência. Logo, nota-se que a normalização da violência e gatilhos mentais são resultados de tal perspectiva que devem ser pautados.

Sob esse viés, é preciso analisar a banalização da violência proveniente do posicionamento da mídia. Isto posto, John Locke, filósofo inglês, criou a teoria da “Tábula rasa” que designa que o homem é aquilo que a sociedade faz dele. Sendo assim, pela recorrência e a forma como a violência é tratada nos meios de comunicação e transmitida para o corpo social, ela passa a ser incorporada na cultura humana e a não receber a importância necessária, uma vez que se torna banal. Além disso, a abordagem imediatista dos eventos não possibilita o desenvolvimento do senso crítico individual, o que leva as pessoas a não se comoverem e a não problematizar os atos violentos. Assim, é urgente que a mídia instigue a reflexão como forma de freiar a visão frívola da violência.

Ademais, é relevante discutir a manifestação de traumas a partir da abordagem da mídia para com a violência. Em verdade, Pierre Bourdieu, sociólogo francês, definiu a “Violência simbólica” que é caracterizada pela agressão sem contato físico que resulta em danos morais e psicológicos. Nessa ótica, a espetacularização e a forma como a brutalidade é a abordada pela imprensa se enquadra no conceito do pensador. Deveras, isso acontece, pois pessoas que já vivenciaram situações como as expostas podem se sentir amedrontadas e relembrar psicologicamente tais momentos, tendo seu sentimento de pavor despertado, ao ver notícias exageradas sobre casos semelhantes. Portanto, é imprescindível que a mídia trate assuntos violentos com cautela, para evitar o pânico da sociedade.

Nessa conjuntura, conclui-se que a trivialização da violência e a ocorrência de estopins para pensamentos negativos são consequências da abordagem da mídia acerca da violência. Em suma, é necessário que o Poder Legislativo, responsável por elaborar normas que regem a sociedade, desenvolva uma emenda constitucional, por meio de votação no Senado, que determine que as notícias sobre atos violentos devem ter único e exclusivamnete cárater informativo. Dessarte, a espetacularização da violência pela imprensa terá um menor impacto na mediocridade e nas repercussões psicológicas da agressão.