Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/09/2021

No dia 20 de abril de 1999, na cidade de Littleton, ocorreu o maior massacre escolar já visto antes, no qual dois adolescentes entraram armados em uma escola, matando diversos jovens. Nessa perspectiva, o comportamento da mídia em relação ao caso foi de extrema irresponsabilidade, dando destaque as histórias de vida e possíveis motivações dos atiradores, deixando assim, as vítimas em segundo plano. Tal acontecimento, serviu de inspiração para diversos outros massacres, mostrando como a espetacularização da violência pela mídia influencia cidadãos a cometerem atos cada vez mais violentos e gera uma banalização dela.

Segundo o conceito “modernidade líquida” de Zygmunt Bauman, nos dias de hoje, prevalecem relações rasas e o individualismo emerge em nossa sociedade. Nesse aspecto, cada vez mais, pessoas são influenciadas por grandes meios de comunicação, os quais tem uma grande responsabilidade. Entretanto, com o objetivo de atrair um maior público, grandes portais tendem a espetacularizar crimes, o que muitas vezes, serve de combustível para que mais pessoas os cometam na tentativa de reconhecimento.

Ademais, a banalização da violência é uma consequência da exagerada exposição mídiaca em certos crimes. Dessa forma, a visão filosófica de hannah arendt, na qual os indivíduos tendem a banalizar o mal difundido corriqueiramente, se relaciona com o contexto em que, quanto maior a exposição em cima de grandes atos de violência, mais comum serão tais atos no Brasil.

Em vista dos fatos mencionados, infere-se, que, tendo a espetacularização da violência pela mídia brasileira como um contribuinte para um cenário de maior brutalidade no país. Cabe, portanto, ao poder legislativo impor limites ao sensacionalismo jornalístico, por meio de leis específicas que multem empresas midiáticas que atentem contra a dignidade dos envolvidos em quaisquer situações de violência ou vulnerabilidade