Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/09/2021

Evidentemente dentro da indústria jornalística existem muitos profissionais antiéticos e sensacionalistas. No ano de 2019 um reportér da rede Band News forçou a mãe de um dos atiradores de Suzano a realizar uma entrevista, mesmo ela estando em luto e desconfortével. A partir dessa situação percebe-se que houve um descaso com os sentimentos da família apenas para ter conteúdo para o jornal. Portanto a espetacularização da violência resulta na banalização da morte e na falta de privacidade em situações sérias.

Atualmente os noticiários são focados em violência, por ser um assunto que atrai mais espectadores. Segundo o trecho da música jornal da morte, de Roberto Silva “só falta alguém espremer o jornal pra sair sangue”. A partir desse verso é possível relacionar com a realidade atual em que divulgar casos violentos é tão recorrente que se tornou banal. Apesar de ser importante estar informado sobre o que acontece no mundo, o sensacionalismo e o enfoque em notícias ruins acaba tirando a relevância de algo tão sério.

Além disso, o espaço pessoal dos indíviduos são diversas vezes desrespeitados pela mídia. No ano de 2020 o programa “cidade alerta” da Record Tv informou ao vivo para uma mãe que sua filha havia sido assassinada. Esse tipo de situação tem sido recorrente, para conseguir fama muitos programas de tv expõem essas pessoas indevidamente. Desse modo é notável que a privacidade das mesmas é divulgada sem empatia e isso gera uma exposição desnecessária que pode prejudicar a vida dos envolvidos, tanto psicologicamente como socialmente.

Conclui-se que a propagação de notícias de cunho violento deve ter um limite. Portanto é dever dos jornalistas selecionar outros tipos de notícias e divulgar apenas as mais relevantes através da mídia, para que dessa forma o conteúdo agregue na vida dos espectadores e não se torne algo banalizado. Também é de responsabilidade dos repórteres ter empatia e senso com quem está sendo exposto, pedindo permissão e respeitando o momento de cada um, dessa forma as pessoas envolvidas terão seu espaço respeitado, o que é um direito delas.