Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 08/09/2021

Na roma antiga, o coliseu era palco de entretenimento, no qual o espetáculo era a violência explícita. dessa forma, os cidadãos romanos, alimentados pela política do “pão e circo”, normatizaram as agressões e, logo, a transformou em divertimento, um problema real da cidade: a violência. Não obstante, o avanço das mídias sociais ampliar a sociedade do espetáculo do império romano, posto que a espetacularização da violência exposta nesses veículos distorce a evolução e desenvolvimento temporal do homem. Nesse ínterim, o individualismo preponderante nas práticas jornalísticas, bem como a naturalização da violência pelo corpo social são aspectos motivadores desse cenário.

Deve-se pontuar, de início, que o sensacionalismo do jornal brasileiro decorre de posturas individuais. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Modernidade líquida”, as relações no mundo contemporâneo são fragilizadas, uma vez que os personalizam o desenvolvimento pessoal em detrimento de ações coletivas. Sob esse viés, a intencionalidade de empresas jornalísticas não é, somente, manter uma população informada em tempo real, mas, sim, estar à frente dos seus concorrentes e garantir o máximo de audiência, o que irá permitir maior rentabilidade de anúncios. Com efeito, a produção de conteúdo ocorre de modo desmedido, pois a difusão de notícias a qualquer custo e sem um reflexo coletivo corrompe a dignidade dos envolvidos nas violências corriqueiras e induz um mau comportamento da massa.

Além disso, uma sociedade naturaliza a violência exposta. Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, em uma coluna da “Revista Veja ‘’,“ a vida humana parece ter menos valor a cada dia ”, um exemplo disso, tem-se uma operação policial que ocorre no complexo do Alemão, em 2010, onde os canais de notícias simplesmente transmitiram ao vivo os policiais fuzilando os traficantes. O espetáculo foi transmitido em rede nacional sem abrir uma pauta para discutir a violência desnecessariamente televisionada. Tendo isso em vista, é notório que a “sociedade do espetáculo” alimenta o jornalismo sensacionalista , visto que consomem esses conteúdos sem uma reflexão prévia e como forma de entretenimento, tal como ocorrido na roma antiga. nesse sentido, persiste um ciclo intermitente: o povo aceita e consome a violência exposta e, assim,

Infere-se, portanto, que a espetacularização da violência pelas mídias é um mal social a ser superado. Para tanto, o poder legislativo deve impor limites ao sensacionalismo jornalístico, por meio de leis específicas que multem empresas midiáticas que atentem contra a dignidade dos atos em quaisquer situações de violência ou vulnerabilidade, não intuito de construir um jornalismo transparente e em prol do coletivo.