Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 09/09/2021

Na obra literária de Antony Burguess, “Laranja Mecânica”, o principal tema abordado gira em torno da relação da sociedade com a violência. Dentre os diversos tópicos discorridos durante a trama, encontra-se a utilização da violência como forma de entretenimento e seus danos para a cultura e bem estar da população. Infelizmente, a situação fictícia pode ser facilmente comparada à realidade da mídia brasileira, que busca nos acontecimentos violentos uma forma de atrair a audiência. Consequentemente, a sociedade acaba por desenvolver um hábito cada vez maior de consumir conteúdos violentos e também de banalizar situações violentas e até mesmo desumanas.

Em primeira análise, observa-se que, o uso da espetacularização de acontecimentos violentos como estratégia midiática para manter a atenção do público, apresenta um prejuízo direto ao consumidor. Isso porque, quanto maior a utilização da violência como forma de entretenimento, maior é a necessidade do consumidor de ter acesso à esse tipo de conteúdo, levando-o a buscar materiais cada vez mais gráficos. Dessa maneira, é criada uma espécie de vício em que o indivíduo se sente dependente do contato com a violência para se entreter.

Além disso, é possível observar o efeito danoso da glamourização da violência na mídia na capacidade da população de se indignar com atos ultrajantes. Durante a crise gerada pela pandemia do coronavírus, muitas famílias tiveram que recorrer a medidas extremas para garantir a renda mensal e, infelizmente, esta situação foi, muitas vezes, romantizada pelas mídias brasileiras. Por conseguinte, boa parte dos brasileiros passou a enxergar o sofrimento como algo rotineiro e banal, ao invés de encará-lo como algo digno de urgente resolução e indignação.

Portanto, é de suma importância garantir que acontecimentos violentos sejam encarados pela mídia brasileira de maneira adequeda. Para isso, mostra-se necessário que medidas, como a criação de leis que busquem punir notícias de cunho sensacionalista, sejam tomadas pelo Ministério das Comunicações com objetivo de impedir a divulgação de violência espetacularizada. Além disso, é papel do Ministério da Educação garantir, por meio de palestras e campanhas de conscientização, que a população esteja atenta aos artifícios usados pela mídia para captar expectadores.