Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 09/09/2021
Na Roma antiga, a arena era uma arena de entretenimento e o espetáculo nela era violência explícita. Desta forma, apoiados na política do “pão e circo”, os cidadãos romanos controlaram a agressão e logo transformaram em entretenimento um verdadeiro problema da cidade: a violência. No entanto, o avanço das mídias sociais expandiu muito a paisagem da sociedade do Império Romano, pois a magnificência da violência exposta nesses veículos distorceu a evolução humana e o desenvolvimento do tempo. Ao mesmo tempo, o individualismo dominante na prática jornalística e a naturalização da violência pelas instituições sociais estão levando isso a acontecer. Deve-se pontuar, de início, que o sensacionalismo do jornal brasileiro decorre de posturas individuais, tendo em vista que sua atuação enaltece o interesse privado. conforme o sociólogo zygmunt bauman, na obra “modernidade líquida”, as relações no mundo contemporâneo são fragilizadas, uma vez que os indivíduos priorizam o desenvolvimento pessoal em detrimento de ações coletivas. sob esse viés, a intencionalidade de empresas jornalísticas não é, somente, manter a população informada em tempo real, mas, sim, estar à frente dos seus concorrentes e garantir o máximo de audiência, o que irá permitir maior rentabilidade de anúncios. com efeito, a produção de conteúdo ocorre de modo desmedido, pois a difusão de notícias a qualquer custo e sem um reflexo coletivo corrompe a dignidade dos envolvidos nas violências corriqueiras e induz um mal comportamento da massa. Portanto, a sociedade naturaliza a violência exposta e perde sua capacidade de criticar diante dos problemas práticos. Essa situação amplia a visão filosófica de Hannah Arendt, na qual os indivíduos tendem a desprezar os males comuns e a produzir passividade social. Com isso, a “sociedade do espetáculo” alimenta notícias sensacionais, pois as consomem sem reflexão prévia e as utilizam como forma de entretenimento, como costumava ser a Roma Antiga. Nesse sentido, continua um ciclo intermitente: as pessoas aceitam e consomem a violência exposta, então a mídia continua criando “espetáculos”. Portanto, especula-se que o exagero da violência da mídia é um mal social que precisa ser superado. Para tanto, o legislador deve aprovar leis específicas para limitar o comportamento sensacionalista das notícias e multar as empresas de mídia que violem a dignidade das pessoas envolvidas em qualquer situação de violência ou fragilidade, a fim de estabelecer um jornalismo transparente para o benefício coletivo. Ainda assim, cada escola é responsável pela formação de indivíduos autônomos.Através de palestras e interessantes atividades de análise e questionamento, a tarefa de estimular a consciência crítica dos grupos sociais é a tarefa de ampliar os horizontes dos cidadãos diante de questões problemáticas e delicadas. Portanto, as redes sociais não serão um palco de espetáculo como o ginásio da Roma Antiga.