Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 11/10/2021

No episódio Urso Branco da série Black Mirror é possível ver a violência feita contra a personagem principal, virando forma de entretenimento e prazer. Porém, mesmo que essa seja uma visão distópica da sociedade, é possível ver a espetacularização da violência na mídia brasileira em pontos como compartilhamento de fotos e vídeos e grandes aberturas em jornais e programas para assuntos como a violência. Por isso, faz-se necessária intervenção quando se trata da exposição midiática de crimes ou ações de hostilidade.

É relevante abordar, primeiramente, que é comum que imagens de pessoas agredidas ou baleadas se tornem virais nas redes sociais. Por isso, no dia 28 de junho de 2021 quando o criminoso Lázaro foi assassinado minutos depois, fotos de seu corpo baleado foram compartilhadas como forma de comemoração e prazer. Esse fenômeno mostra que parte da sociedade comemora assassinatos e agressões em nome da vingança, mesmo que inconstitucional.

Concomitante a isso, é possível também perceber que a espetacularização da violência é grandemente incentivada por programas jornalísticos de grande audiência visto que muitos programas fazem acompanhamento próximo de crimes. Um exemplo a ser citado é o Caso Eloa de 2008, a apresentadora Sonia Abrão fez cobertura direta do caso e entrevistou o sequestrador e a vítima atrapalhando as negociações policiais. Dessa forma, é possível ver claramente como a violência é algo usado para entretenimento na programação da televisão brasileira.

Diante dessa problemática, visando mitigar a espetacularização da violência na mídia. É necessário que o excesso de exposição da violência seja contido e regularizado por meio de leis e regras de fiscalizações mais rígidas e efetivas criadas pelo Ministério das Comunicações. Isso deve ser feito com o objetivo de que ações violentas não sejam formas de entretenimento ou prazer.