Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 12/10/2021

Em países subdesenvolvidos, como Chile e Argentina, os veículos de comunicação se atêm a informar e a elevar o patamar civilizatório da sociedade. No Brasil, entretanto, há a espetacularização da violência pela mídia por repetição de cenas de barbáries, objetivando lucros em detrimento do bem-estar social. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à banalização da violência em canais de massa, mas também em função do alheamento do Estado em cumprir seu papel de reduzir as mazelas da sociedade.

Nesse sentido, é válido destacar a normalização de comportamentos agressivos pela imprensa. Nessa lógica, de acordo com o jornal CNN, em geral, a população brasileira é espectadora assídua de matérias violentas em TV aberta. Observa-se, por esse ângulo, o aumento da vulnerabilidade mental dos espectadores, haja vista o constante bombardeamento de ações bárbaras e brutais pela mídia e, por consequência, a banalização da vida. À vista disso, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade dos veículos de comunicação é como eles expõem os fatos aos indivíduos. Dessa maneira, pode-se considerar a mídia brasileira como pouco moral, uma vez que ela visa audiência e lucros em cima do sofrimento alheio e, assim, torna a violência algo comum e banal. Nota-se, portanto, a falta de humanização midiática para lidar com a realidade social.

Além disso, é imprescindível salientar a ausência governamental em cumprir sua função de intercessor em prol do bem-estar social. Nessa perspectiva, consoante ao filósofo Thomas Hobbes, os indivíduos assinam o contrato social, acordo que retira o homem do seu estado de natureza, que é o de violência generalizada, para que O Levitã (Estado), reduza os problemas sociais. No entando, de acordo com o jornal Nexo, a convivência brasileira com a espetacularização da violência pela mídia estimula a disseminação e a normalização de atos violentos no país, o que vai de encontro aos objetivos de firmar um pacto coletivo hobbesiano. Desse modo, vê-se, infelizmente, que a confiança que os indivíduos depositam no governo a fim de que este aja a favor da melhoria social é diariamente abalada, dado que a mídia age de forma arbitrária sobre violência cotidiana.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de multas a canais de comunicação que banalizam a vida e espetacularizam a violência por repetição de cenas de brutalidade, objetivando lucros acima do bem estar-social; a fim de proteger a saúde mental dos cidadãos e frear a estimulação de ações violentas. Assim, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.