Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 14/10/2021

O Dicionário da Comunicação entende sensacionalismo como: “um acontecimento descrito de forma exagerada, com o intuito de criar emoções no público”. A partir dessa definição, é possível notar o uso exacerbado do sensacionalismo nos grandes veículos midiáticos, com destaque para o jornalismo policial. Esse fator é impulsionado pela busca por audiência e a ânsia pelo sentimentalismo do público, ocasionando a espetacularização do terror que, quando somada ao poder exercido pela mídia, configura a chamada “sociedade do medo”.

Inicialmente, é primordial destacar o poder de influência da imprensa na formação de opinião e na compreensão da realidade por parte dos indivíduos. Na contemporaneidade, a mídia atua selecionando os assuntos e acontecimentos do cotidiano, além do modo como os noticiar. Dessa maneira, ela ocupa uma espécie de “4º Poder Institucional”, moldando de forma passiva a realidade a ser interpretada pela população. Esse aspecto é descrito pelo conceito de “Sociedade do Espetáculo”, criado pelo sociólogo Guy Debord para descrever como as pessoas condicionam o que é noticiado à verdade, validando aquilo que foi selecionado e recortado do real acontecimento. Assim, não há uma compreensão dos fatos, mas sim daquilo que foi propagado como verdadeiro.

Partindo desse pressuposto, nota-se como o sensacionalismo midiático pode modificar o corpo social a partir do “4º Poder Institucional”. Isso é causado pela busca por audiência e credibilidade, pilares essenciais no processo de mercantilização da informação, no qual as grandes corporações de imprensa buscam faturar ao máximo com as notícias. Isso faz com que os programas policiais se utilizem da violência cotidiana para lucrar, transformando-a em violência espetacular, acarretando a espetacularização do terror e no estabelecimento de preconceitos que resultam no temor social. Ademais, o preconceito causado a partir dos aspectos citados se relaciona com a criminalização da pobreza, processo impulsionado pelo jornalismo policial, que condiciona os moradores de periferias ao estereótipo de criminoso. Somado a isso, dados do Jornal Folha De São Paulo mostram que 4 em cada 10 pessoas detidas com posse de drogas são condenadas com penas maiores apenas por residirem em favelas, expondo notoriamente a realidade problematizada.

Com isso, observa-se graves problemas ocasionados pelo sensacionalismo midiático, além dos programas que especulam a violência. Para reverter esse cenário, o Congresso Nacional – na sua condição de Poder Legislativo – deve estabelecer por projeto de lei, diretrizes que limitem a propagação de notícias que descrevam acontecimentos de forma exagerada, além da exibição de conteúdos policiais que especulam e incitam a violência. Assim, causando uma redução no sentimento de terror. causado à população.