Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/10/2021
No filme “Gladiador”, há o retrato de espetáculos violentos ocorridos na Roma Antiga, expondo uma sociedade egoísta e hostil em que o entretenimento era pautado no sofrimento. Fora da ficção, a espetacularização da violência sai dos Coliseus e dá lugar a agressividade no cotidiano, exposta pela mídia brasileira, tal fato gera graves consequências para o Estado, a exemplo dos traumas psicológicos incutidos à população, oriundos dessa exposição excessiva de violência. Nesse sentido, dois fatores não devem ser negligenciados: a violação do bem estar social, que deveria ser assegurdo pelo Estado, ao permitir essa transgressão, além da mídia utilizar a parcialidade para adquirir mais notoriedade.
Primordialmente, o descumprimento do acordo entre sociedade e Estado abordado na Carta Magna, artigo 6 - que propõe os direitos básicos a saúde e segurança-, é algo recorrente em território brasileiro. Haja vista, que de acordo com a obra “Cidadão de Papel”, de G. Dimenstein, a Constituição Federal é somente um compilado de informações sem efetiva prática. Diante disso, é indispensável que o Estado saía desse estado de conformismo e pratique a legislação.
Ademais, a predisposição tendenciosa midiática que faz da violência cotidiana um fato espetacularizado e provoca medo, ansiedade, dentre outras consequências psicológicas nos receptores, é algo latente no jornalismo brasileiro. Tal afirmação pode ser verificada no programa televisivo “Brasil Urgente”, protagonizado por Datena, um repórter unilateral, no qual expõe de modo ríspido as mazelas da sociedade, causando angústia nos telespectadores. Dessa forma, torna-se necessária ações governamentais para amenizar os impactos gerados.
Destarte, a fim de que o Estado cumpra seu papel e execute seu poder conforme a Constituição Federal vigente, protegendo os indívuos da exposição a situações que lhe causem desconfortos psíquicos, urge que o Poder Judiciário confira se a legislação está sendo cumprida da forma correta, por meio de fiscalização aos órgãos executivos, intimando-os a intervirem na questão do jornalismo na tv e canais de comunição, vetando aquelas matérias de cunho unilateral e que cause transtornos a população. Assim, as pessoas sentir-se-ão confortáveis ao consumirem um jornalismo imparcial, sem impactos a sua saúde mental. Sob tais perspectivas, obter-se-á uma nação em que a espetacularização da violência ficará apenas no passado e nas obras cinematográficas, como Gladiador.