Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 28/10/2021

O futuro distópico presentes em obras da cultura pop, como o filme de ficção científica “The Running Man” ou as Hqs do Juíz Dredd, em que ocorrem a divulgação e glorificação da violência tem se tornado mais próxima de se concretizarem.  Tal culto a brutalidade está cada vez mais rotineiro nas mídias brasileiras, seja pelos jornias polícias, filmes de ação ou músicas nacionais, gerando uma normalização as diversas agressões presentes no dia a dia do cidadão. Logo, posturas hostis institucionalizam e o desprezo a vida humana torna-se mais presente, tanto nos pensamentos individuais quanto no coletivo.

Primeiramente, a espetacularização da violência contribui para a banalização do mal, como defendida pela socióloga Agnes Heller. Isso é, a divulgação da violência institucionaliza as agressões policiais, as discussões acaloradas e desrespeitosa do dia a dia, levando os indivíduos a praticarem, aceitarem e incertivarem a brutalidade cada vez mais presentes nas ruas. Analogamente, esse quadro ocorreu na Alemanha da década de 1930, como as propagandas e filmes divulgados pelos nazista, afim de normalizar as persiguições políticas e raciais cometidas. Essa realidade também esteve presente no Brasil dos anos 2000, no qual o filme “Tropa De Elite” serviu como instrumento de propaganda para repressão policíal, tornando a violência presente nas forças auxiliares do Rio de Janeiro como uma ação nobre e incentivada pelo gorverno e população fluminense.

Além disso, a hostilidade filmada pelas lentes das câmeras ou smartphones contribuem para a desvalorização da vida humana. Conforme a música “O Calibre” da banda Paralamas Do Suceeso, “Não vê que a sua vida aqui se encerra/Com uma nota curta nos jornais”, isso é, a morte de um cidadão não é mais chocante, sendo apenas mais um número que seguirá nas estatíticas sobre a violência brasileira. Além disso, a violência e a morte são instrumentos para obter pontos de audiência ou views no Youtube. Esse quadro está presente no filme “O Abutre”, no qual retrata a busca desenfreada e desesreitosa pela audiência presente na mídia marrom, em que a morte é mais um show, servindo apenas para o entreterimento e não para o questinamento da sociedade contemporânea.

Em suma, a espetacularização da violência contribue para a banalização do mal e a animalização do cidadão. Para reverter esse quadro é necessário a atuação do Ministério Público e Congresso Nacional, por meio da fiscalização da imprenssa que vive da divulgação da violência e propagandas nas redes sociais e mídias tradicionais, a fim de de levar as pessoas a refletirem sobre o que estão consumindo e questionarem sobre as hostilidades vistas no dia a dia. Para que esses objetivos sejam alcançados é precisso cobrar a divulgação da faixa etária para os conteúdos relacionados a violência e publicidades que demonstram o valor da vida humana e a importância de uma boa convivência.