Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/10/2021

O filme “O abutre” ilustra a história de um jovem desempregado que corre atrás de crimes e acidentes chocantes para registrar e vender a veículos midiáticos interessados. Fora da ficção, a espetacularização da violência também ocorre, principalmente pela mídia brasileira,  por isso, é preciso discutir as suas consequências. Sob esse aspecto, convém analisar como essa situação prejudica a  real função jornalística assim como o possível impacto do recebimento dessas notícias sobre crianças.

Adorno e Hokheimer, no livro Dialética do esclarecimento", explica como os intrumentos midiáticos, através do conceito de “Indústria cultural”, têm o poder de transformar cultura em mercadoria. Nesse contexto, tem sido recorrente no jornalismo brasileiro disseminações de atos explicitos de violências para a geração de lucros, importando-se em chocar ao invés do intuito principal que é informar através de fatos apurados. Com base nisso, pode ser mencionado a simulação detalhada em jornais, na TV, do assassinato que aconteceu em uma escola em Suzano, como também imagens reais do desespero dos alunos. Dessa maneira, é indubitável a espetacularização da violência no meio jornalístico, situação que, consequetemente, indignifica a profissão desmerecendo a sua real função.

Ademais, é preciso citar de que forma esses espetáculos de violência podem refletir na vida daqueles que as recebem, porém são mais sensíveis aos temas, como crianças. Segundo o filósofo John locke, o aprendizado depende das vivências em que a criança é submetida, uma vez que tal processo representa um conhecimento adquirido de fora para dentro. Sendo assim, as constantes espetacularizações da violência podem despertar comportamentos agressivos nos pequenos que, ainda estão no processo de inserção na sociedade. Desse modo, fica claro que a atual realidade pode impactar negativamente a vida de indivíduos que cresceram em meio à violências explicitas nas mídias como se fossem parte do cotidiano.

Diante disso, as mídias, principalmente jornais de TV, devem mudar a atual conduta de exposição exagerada de ações violentas, reafirmando uma das principais funções dela na sociedade: informar. Além disso, a família - instituição responsável pelo processo de socialização primária - deve proteger os filhos das notícias com violências explicitas. Isso pode ocorrer por meio do controle de horários que os filhos podem se expor à televisão, assim como a proibição de alguns canais. Espera-se, com isso, proteger crianças da exposição à violencia e diminuir algumas das consequências causadas pela mídia.