Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 16/11/2021
A modalidade esportiva “MMA” é conhecida mundialmente por ser uma encenação com fito de entreter, por meio de lutas. Todavia, esse esporte não surpreende ao executar espetáculos fictícios, haja vista que esta é sua função. Em contrapartida, a espetacularização da violência pela mídia brasileira é um alarmante problema, quando fruto de um jornalismo sério, tendo em vista que seu papel é ser um instituto imprescindível à consagração da democracia, submisso à verdade e ao povo. Desse modo, tal conjuntura é incabível e merece um olhar mais crítico a fim de sua dissolução.
Inicialmente, cabe abordar os erros em reportagens, que são resultado direto da pressa, levando o público a opiniões manipuladas e precipitadas. Parafraseando o provérbio popular brasileiro, a pressa é inimiga da credibilidade. Em outros termos, a necessidade de publicar em primeira mão sobressai ao comprometimento com a verdade, motorizando notícias inverossimíveis e, assim, subvertendo o jornalismo. No ano de 2021, o “caso Lázaro” dimensionou essa problemática, quando todos os dias, jornais de renome publicavam manchetes errôneas sobre a resolução e prisão do assassino, desse modo, resolvido o crime a confiabilidade já estava perdida e o público pensou ser mais uma “fake news”. Isso ocorre em decorrência da espetacularização da mídia, que passa a contar histórias e não a relatá-las de modo referencial.
Além disso, em detrimento da urgência em noticiar, o jornalista perde sua humanidade perante situações delicadas, como casos de violência. Segundo o sociólogo Milton Santos, a fragilidade das relações humanas nasce da dificuldade dos indivíduos verem o que os separa e não o que os une. Em outras palavras, o jornalista aliena-se com o trabalho rápido e esquece que está lidando com outros seres humanos, por exemplo famílias de vítimas de crimes violentes, logo, não dão espaço e não oferecem a empatia necessária. Com isso, novamente, evidencia-se um jornalismo de espetáculo com o objetivo de impactar a todo custo.
Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para mitigar a espetacularização da violência pela mídia brasileira. Para tanto, urge que as grandes empresas de jornalismo promovam campanhas e cursos preparatórios para todos os repórteres, que objetivem-se instruir e reformular os profissionais com visões e comportamentos mais empáticos e referenciais, por meio de oficinas e palestras com temas como alteridade e consequências de notícias erradas na mídia, para que formule-se um jornalismo-longe do MMA-, verdadeiramente, crível e a serviço do povo.