Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 06/02/2022

A violência como espetáculo na sociedade contemporânea

A espetacularização da violência é uma pauta recorrente no cenário brasileiro, haja vista que diversos telejornais vêm retratando notícias de teor violento, inconsequentemente, com o intuito de promover crescimentos em sua audiência. Dessa forma, a mídia está priorizando ganhos pessoais em detrimento da privacidade e da integridade das vítimas desses acontecimentos, perpetuando um imaginário cultural permeados por visões distorcidas acerca dos fatos.

Primeiramente, é preciso compreender a gigantesca influência midiática na conduta dos indivíduos, uma vez que a glamurização da violência contida nos noticiários implica atos de vigilantismo e justiça com as próprias mãos. Sendo assim, através da superexposição aos meios de notícia, comportamentos inconscientes são motivados, entretanto ainda é possível analisar as consequências desses atos e remediá-los antes que os danos sejam irreparáveis.

Dessarte, é concebível fazer uma analogia à “Teoria da Carnavalização”, proposta pelo filósofo Mikhail Bakhtin. Nesse pensamento, ele afirma que o conjunto de manifestações culturais de uma sociedade, incluindo atos violentos, vêm sofrendo um processo de carnavalização, o qual é caracterizado pela banalização e pelas representações burlescas. Assim sendo, o argumento do autor exemplifica o sucesso da espetacularização na mídia brasileira.

Além disso, no filme “O Abutre”, do diretor Dan Gilroy, o cineasta descreve uma narrativa sobre um jornalista criminal independente visando a sua aclamação como profissional da área, nessa perspectiva, sua integridade moral é deturpada enquanto busca pelo seu reconhecimento. Sob essa ótica, Gilroy critica incisivamente as atitudes tomadas pela maioria dos trabalhadores do jornalismo criminal, pois esse tipo de comportamento é danoso para diversos setores da sociedade.

Conclui-se, portanto, que é necessário que o Ministério das Comunicações elabore uma campanha em colaboração com o Ministério da Justiça visando à desconstrução da espetacularização midiática de crimes violentos. Logo, isso seria possível através de ações legais impostas às organizações da mídia, permitindo a predominância da privicidade e da integridade em relação aos interesses monetários.