Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 11/02/2022

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superfíciais que caracterizam essa nação. Não longe da ficcão, percebe-se aspectos semelhantes que perpetuam ao longo da história, no que tange à questão da espetacularização da viôlencia pela mídia. Além disso, é preciso ressaltar, ainda, que a população carece de informações sobre tal assunto, o que gera estranhamento em torno da questão.

A princípio, a insuficiência das regulamentações é um complexo dificultador. Em 2008, Eloá Cristina, de 15 anos, foi sequestrada e mantida em cárcere privado por seu ex namorado, Lindemberg. Esse caso repercutiu em todas mídias de comunicação, o que acabou atrapalhando o trabalho dos militares pois o sequestrador assistia todos os passos que estavam sendo divulgados pela Tv. Infelizmente, após dias de discussão entre a polícia e Lindemberg, a jovem foi assassinada. O artigo sexto da Constituição Federal de 1988 garante direito pleno a qualquer cidadão, bem como à segurança e a infância. No entando, essa legislação não tem sido suficiente para erradicar o problema no país.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o falta de debate. O filósofo Foucalt defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. A internet e as páginas de fofocas ganharam força no século 21, devido as suas notícias imediatas. Com isso, o jornalismo televisivo acabou perdendo parte de sua audiência. O “furo”, independente de quem seja, sobre o que seja ou como seja, foi uma estratégia para trazer esse público de volta em frente aos televisores. Pouco se fala das consequências dessas ações, que ao invés de trazer questionamentos sobre os comportamentos sociais, formam pessoas mais ansiosas, insensíveis, indiferentes e também indivíduos que desconhecem o significado da palavra “empatia”.

É necessário, portanto, que os representantes políticos de esfera municipal e líderes de bairro mobilizem a população a elaborar cartas de denúncia e baixo-assinados, exigindo a real aplicação da legislação brasileira. Tais documentos deve ser enviados ao site da Ouvidoria da Controladoria-Geral da União, a fim de que a violência midiática seja de conhecimento público e possa ser solucionada.