Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 25/02/2022
Os filmes brasileiros “A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pais”, recentemente lançados, mostram os depoimentos da jovem Suzane Von Richthofen e de seu namorado Daniel Cravinhos, que cometeram um dos mais chocantes casos de homicídio no país. De maneira análoga a isso, nota-se a espetacularização da violência através da mídia e como esses acontecimentos, na maioria das vezes, promovem grandes repercussões. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a presença contínua da violência no cotidiano da sociedade e a banalização dessa problemática, devido à forma naturalizada apresentada.
Convém destacar, em primeira análise, a assiduidade das notícias violentas que bombardeiam a população. Considerando a ideia defendida pelo escritor inglês George Orwell, que afirma que a mídia controla a massa, é possível pontuar que a propagação de casos de violentos , em demasia e com finalidade lucrativa, pode refletir em uma sociedade passível à violência. Além disso, faz-se necessário citar que as as empresas midiáticas não, somente, visam manter o público informado, mas, sim, estar à frente dos seus concorrentes e preservar o máximo de audiência possível.
Outrossim, é notório a banalização, por parte da sociedade, da violência exposta e a naturalização que a população consome essa problemática. Essa situação amplia a visão da filósofa alemã Hannah Arendt, em que os indivíduos tendem a naturalizar o mal difundido corriqueiramente. Sendo assim, a sociedade consome esses conteúdos sem uma reflexão prévia e para entreter-se, podendo gerar, posteriormente, um sentimento de insensibilidade a atos violentos.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham cessar a espetacularização da violência na mídia. Por conseguinte, cabe ao poder legislativo, juntamente ao Ministério da Comunicação, impor limites às notícias que serão expostas ao corpo social, através de projetos de leis que venham multar as empresas midiáticas que banalizam a violência, com a finalidade de construir um jornalismo que propague noticías saudáveis. Somente assim, a mídia não será um espaço para propagar atos violentos de forma mecânica.