Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/03/2022
Com o advento da era digital, o compartilhamento e a espetacularização de conteúdo violento tornou-se comum em telejornais, redes sociais e meios de entretenimento. Como consequência disso, a banalização da vida e a romantização da violência cresceram exacerbadamente na sociedade brasileira.
O uso das redes sociais para o compartilhamento de conteúdo gráfico ganhou popularidade nos últimos anos. Por exemplo, no “Twitter”, as mídias de fotos e vídeos de combates entre facções criminosas do Rio de Janeiro no ano de 2018 já contavam com mais de um milhão de acessos. Tais arquivos exibiam cadáveres mutilados ou fuzilados sem nenhuma censura, e os usuários podiam compartilhá-los livremente e externalizar sua opinião sobre tal fato. Pela popularização da violência advinda de outros inúmeros episódios análogos a esse, a banalização da vida acentuou-se, e a indiferença quanto a crueldade tornou-se necessária para frequentar as mídias sociais e suportar o mundo real.
Já no quesito do entretenimento, a romantização de tragédias na criação de flmes, séries e documentários de cunho apelativo à ficção foi fundamental para a simpatização da população com a impetuosidade. Um fator que exemplifica isso é o ataque de Suzano, no qual dois adolescentes que mataram oito pessoas inspiraram-se no ataque de “Columbine”, massacre documentado e exibido em canais de TV. Ademais, a violência como cultura é amplamente venerada em músicas brasileiras populares (tais como o “Funk” e o “Trap”), na qual seus artistas praticam apologia a facções e condutas criminosas deliberadamente. Desse modo, as pessoas que consomem essa cultura compactuam com os valores pregados nela, os quais são incongruentes com a realidade.
Sendo assim, o Estado e a sociedade devem trabalhar juntos para coibir o compartilhamento de conteúdo gráfico em mídias sociais e abordar temas violentos de forma imparcial e racional. Para isso, evidencia-se inerente a criação de políticas públicas que conscientizem a população do uso adequado das mídias e da atuação do poder executivo e judiciário na aplicação efetiva dos tratados de direitos humanos. Só assim surgirá uma sociedade que age com espírito de fraternidade e respeita a dignidade humana.