Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 02/04/2022
No Brasil do século XX, jornais destinados ao veículo exclusivo de notícias sobre os casos de violência do país foram recriminados, pois geravam diversos transtornos na população. Lamentavelmente, hoje, programas de televisão sensacionalistas como “Cidade Alerta” ocupam a função dessas gazetas. Dessa forma, muda-se o meio de circulação, mas a violência segue espetacularizada na mídia brasileira, as consequências? banalização da violência e o comprometimento da saúde mental da população em tempos de pandemia.
Primeiramente, vale analisar o filme “Tropa de Elite”, o qual retrata a violência urbana nas favelas do Rio de Janeiro. Com esse ato, a situação de hostilidade das periferias foi exposta nacionalmente pela mídia. Todavia, ao contrário de provocar comoção e desejo de mudança, o estado de calamidade dessa região foi apenas banalizado. Dessa forma, os inúmeros casos de feminicídios, agressão policial e o abuso do consumo de drogas ilícitas - potencializadoras de homicídios -, foram romantizados pelos veículos de informação, transformando essas regiões em meras atrações turísticas. Então, enquanto a espetacularização da violência permanece, a população urbana do Brasil continua distante de atingir a paz.
Ademais, o sensacionalismo da mídia ainda prejudica fortemente a saúde mental da população, principalmente em períodos pandêmicos. Essa realidade ocorre porque os canais de imprensa não estabelecem um limite entre informar e bombardear os usuários com notícias espetacularizadas para atrair a atenção constante deles. Desse modo, durante a quarentena do COVID-19, muitas pessoas passavam o dia sendo alimentadas com casos brutais de violência, então, contraíram doenças mentais como: crise do pânico, ansiedade social e depressão. Como prova, a Organização Mundial da Saúde aponta que 25% do aumento de distúrbios mentais tiveram relação com a mídia.
Portanto, fica visível que medidas precisam ser tomadas. Dessa forma, é dever do Ministério das Comunicações agir contra a espetacularização da violência na mídia brasileira e suas consequências, por meio da criação de fóruns de denúncia nos quais a população pode fazer queixas sobre o abuso ou a romantização das notícias, a fim de que as empresas responsáveis sejam sancionadas e corrigidas. Além disso, é importante a criação de grupos de apoio para os afetados por esse bombardeamento, com a presença de profissionais da segurança pública e da saúde. Todas essas medidas devem ser divulgadas na televisão e nas redes sociais para obterem fácil acesso e, finalmente, firmarem-se relações saudáveis e produtivas entre a sociedade e os meios de comunicações.