Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/04/2022
A constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quado se observa a midiatização da violência, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a inércia governamental para combater a violência urbana do Brasil moderno. Nesse sentido, graças à crescente mudança ocorrida hodiernamente, o avanço de transgressões adquiriram força e tamanho desproporcionais, tornando-se incapazes de serem controlados em sua plenitude pelas autoridades. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista Jonh Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança na atualidade.
Ademais, é fundamental apontar o avanço e acessibilização das tecnologias como impulsionadores da midiatização da violência atual. Segundo o IBGE, cerca de 80% da população brasileira acima dos 10 anos possui internet , sendo evidente o bombardeamento de informações em quase todo o país. Desse modo, a violência sendo uma anomalia presente na nação e sua junção com a tecnologia, é criado um ambiente propício para uma exposição desnecessária em prol de uma falsa atualização de notícias, apenas atuando como uma forma de entretenimento sadomasoquista e incentivadora à violência.
Em suma, é evidente a necessidade do combate da espetacularização da violência brasileira, cabendo ao Estado, por meio do Ministério da Ciência, tecnologia e inovações, utilizar recursos financeiros para promover a fiscalização de conteúdos agressivos postados na internet. Nessas fiscalizações, profissionais de Tecnologia de informação iriam analisar e sancionar conteúdos que incentivariam a promoção de agressões e exposição inconsequente de transgressores para fins midiáticos, com o uso de parcerias com as principais redes sociais e jornais vigentes. Desse modo, o Estado desempenhará seu papel corretamente tal como Locke afirmava.