Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/04/2022

A constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6, o direito à segurança como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem reverberado-se com ênfase na prática quando se observa a midiatização da violência , perpetuando, deste modo, a impossibilidade da universalização desse direito social importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a inércia governamental para combater a violência urbana do Brasil moderno. Nesse sentido, graças à crescente mudança ocorrida hodiernamente, o avanço de transgressões adquiriram força e tamanho desproporcionais, tornando-se incapazes de serem controlados em sua plenitude pelas autoridades. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista Jonh Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança na atualidade.

Ademais, é fundamental apontar o avanço e a acessibilização das tecnologias como impulsionadores da midiatização da violência atual. Segundo o IBGE, cerca de 80% da população brasileira acima dos 10 anos possui internet, logo, sendo evidente o bombardeamento de informações en quase todo o país. Desse modo, a violência mostra-se como uma anomalia presente na nação e sua junção com a tecnologia, dessa forma, cria um ambiente propício para uma exposição desnecessária em prol de uma falsa atualização de notícias, apenas atuando como uma forma de entretenimento sadomasoquista e incentivadora à violência.

Em suma, é nítido os malefícios da espetacularização da violência, cabendo ao Estado, por meio do Ministério da Ciência, tecnologia e inovações, utilizar recursos financeiros para promover a fiscalização de conteúdos. Nessas fiscalizações, profissionais de tecnologia de informação iriam sancionar e analisar conteúdos com o cunho violento e desnecessariamente expositivo, com o uso de programas de computadores, análise manual e parcerias com as principais redes socias e jornais vigentes. Desse modo, as mídias serão mais contidas e mais conscientes sobre os assuntos que serão abordados nas plataformas.