Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 25/05/2022

Na trilogia “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins, a Capital - uma cidade tecnologicamente avançada onde os mais ricos vivem - demonstra seu poder por meio de uma competição anual, onde jovens de cada distrito são selecionados a lutar até a morte. Tornando-se um entretenimento para a população. Não distante da ficção, nos dias atuais, tal situação é observada já que a mídia ao mostrar situações de crime na sociedade os retrata como um tipo de espetáculo. Tendo como consequências a normalização da violẽncia e pessoas mais agressivas.

Sob esse viés, é importante ressaltar que a forma habitual de ver ou tratar a criminalidade é detestável. Nesse sentido, segundo a filósofa Hanna Arendt, a banalidade do mal é um mal que virou comum de ser praticado. Por essa razão, a imprensa ao mostrar a violência sabendo que é o que gera mais audiência, por provocar impacto no público, contribui para a banalização da agressividade já que a violẽncia tende a se tornar algo cotidiano. Por ser visto como algo corriqueiro, e não como algo insólito, a sociedade não dá a devida atenção necessária e trata determinado acontecimento como algo que não pode ser alterado, por ser usual.

Além disso, a espetacularização da violência gera pessoas cruéis. De acordo com o psicanalista Donal Winnicott, é a atitude do ambiente com relação a agressividade que influencia de maneira determinante o modo como a pessoa lida com a tendência agressiva que faz parte da sua natureza humana. Logo, se um cidadão está em um ambiente onde tudo que ele absorve ou tem conhecimento são atitudes violentas, crimes, aquilo que estará influenciando esta pessoa são situações prejudiciais. Que pode levar em algum momento esse indivíduo a acabar agindo com hostilidade da mesma forma que consumia esse conteúdo pela mídia.

Torna-se evidente, portanto, que a espetacularização da violência pela imprensa apresenta entraves que necessitam ser revertidas. Logo, é imprescindível que as instituições de ensino além de escolarizar os alunos, formentem o desenvolvimento crítico, por meio de palestras, debates e seminários. A fim de que todos consigam destinguir aquilo que é normal e o que foi normalizado. Ademais, cabe a mídia, alterar sua forma de divulgação, bucando soluções e recorrendo ao Estado. Só assim poderemos nos distanciar da realidade vivida na Capital.