Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 23/08/2022
O telejornal “Cidade Alerta”, exibido pela emissora Bandeirantes (Band), costuma noticiar fatos trágicos e tristes para seus telespectadores, tratando da mesma notí-cia por um longo tempo, como se fosse uma grande atração. Nesse viés, gerando uma espetacularização da violência, que estimula mais atenção para assuntos des-se tipo do que para ações positivas. Logo, essa problemática ainda é recorrente de-vido ao interesse da mídia apenas em lucrar, como também pela naturalização das tragédias por parte da população.
Em primeiro plano, é notório que a mídia não se preocupa devidamente com o que expõe, ela apenas se importa com o capital obtido através disso; dado que, a forma como a população que está assistindo recebe ou afeta-se com o que é exibi-do não é uma preocupação da imprensa. Em virtude disso, a série “Bom dia, Verô-nica”, produzida e exibida pelo site de streaming Netflix, retrata um relacionamen-to abusivo, no qual, o personagem Cláudio aprisiona sua esposa, Janete, e a obriga a presenciá-lo torturar mulheres, tratando disso como um espetáculo.
Por conseguinte, é evidente que os acontecimentos trágicos foram banalizados e não causam mais uma grande comoção na sociedade; tudo se tornou muito co-mum pela recorrência com a qual vem acontecendo. Diante disso, o seriado chinês “Round 6” exemplifica essa situação ao retratar 456 personagens, que se encon-tram endividados e buscam por um enorme prêmio em dinheiro participando de um jogo. No entanto, nele os perdedores são mortos e os jogadores que restam presenciam a chacina, sendo que na primeira prova mais da metade morre; dessa forma, fazendo os telespectadores considerarem isso normal.
Mediante o exposto, é imprescindível que as mídias sociais- ferramentas que permitem a interação e compartilhamento de informações- atuem, sendo mais se-letivas acerca das cenas e informações expostas pelas redes sociais, emissoras, si-tes etc, que sejam eticamente desconfortáveis ou inconvenientes, buscando redu-zir os casos em que a violência é espetaculatizada. Assim, a mídia continuará lu-crando, porém sem usufruir de cenas que apresentam o sofrimento alheio.