Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 05/09/2022
O escritor inglês Aldous Huxley disse, “A publicidade é uma das formas mais interessantes e difíceis da literatura moderna.” Quando analisada a mídia brasileira e a sua espetacularização, a fala do escritor é corroborada, sendo possível perceber em vários momentos as consequências de uma mídia despreparada e invasiva com os seus telespectadores. Em suma, as consequências vividas por causa da espetacularização são, a desumanização das pessoas que estão sendo procuradas pela polícia por causa da mídia tratá-las como se fossem um espetáculo, e a outra consequência é atrapalhar o trabalho de investigação por causa da exposição do que será feito.
Consequentemente a espetacularização, analisando historicamente, o Coliseu Romano foi construído com o objetivo de entreter a população com execuções e massacres de gladiadores que eram em sua maioria escravos. Analogamente, na contemporaneidade a mídia filma e espalha detalhes de perseguições inclusive execuções de criminosos. Como foi o caso do Lázaro, um assassino que foi motor pela polícia e teve fotos e vídeos de sua morte espalhada pela internet. Indubitavelmente, a cobertura exagerada da mídia desumanizou a vida do Lázaro, assim como o Coliseu fazia diariamente com centenas de homens.
Consequentemente a exposição, o trabalho policial é comprometido toda vez que a mídia interfere e decide expor para a população o que será feito em seguida. Como por exemplo, no caso do Lázaro que diariamente era exposto nas redes sociais onde a polícia procuraria ele e quais seriam os próximos passos. Dessa forma, coloca em risco a vida de vários policiais e compromete qualquer ação.
Portanto, diante dos fatos supracitados, é necessário que o Poder Legislativo crie uma lei que limite a exposição da mídia em situações delicadas como a do Lázaro e cenas fortes, sem interferir na liberdade da mídia que é crucial em uma democracia. Para a desumanização acabar por meio de informações mais conscientes sem exagerar e sem transformar em um espetáculo.