Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 03/05/2023
“As inquietudes são a locomotiva da nação”. Para o filósofo Karl Marx, os conflitos de uma sociedade fornecem forças para a população enfrentá-los. No Brasil moderno, é observado a espetacularização da violência pela mídia, que dissemina uma cultura do medo e deslegitima a Constituição com os agraves dos linchamentos. Dessa forma, é de suma importância a discussão sobre esse empecilho para pleno funcionamento da conjuntura brasileira.
Primordialmente, é evidente que o jornalismo penal midiático utiliza a violência urbana para reter monetização em cima desses casos. Segundo o sociólogo Barry Glassner, a cultura do medo é um fenômeno pautado na utilização da violência como recurso monetário ou moral, sendo um meio de aumentar audiências das emissoras ou conseguir influência política. Para ele, esse fato carrega consequências, pois não condiz com o índice de violência da materialidade, entretanto serve de motor para a segregração social e o estigma das regiões periféricas. Com isso, é necessário precaver o sensacionalismo pregado nas mídias.
Ademais, em decorrente dessa banalização da violência nos orgãos midiáticos, é perceptível também os corrosivos comportamentos violentos que geram no corpo social. Na música “A minha alma”, do grupo musical O Rappa é relatado uma angústia do eu-lírico perante o convívio social com a violência urbana, fato que não se descola da realidade, pois o jornalismo penal instaura cólera nos indivíduos, que sentem o desejo de fazer justiça com as próprias mãos e torna não só a violência banalizada, como também a vida. Assim, é imprescindível o julgamento dessas práticas criminosas, do jornalismo populista á sua relação com o linchamento.
Portanto, é imensurável a necessidade de combater a espetacularização da violência pela mídia no Brasil. Logo, cabe ao Estado, maior vetor do poder executivo, enviar recursos para a atuação do Ministério da Justiça e por meio de reuniões com as emissoras e mídias, regulamentar a prática sensacionalista com o fim de diminuir os casos de violência urbana e os estigmas. Sendo assim, materializa-se as mudanças requeridas pela nação de acordo com Karl Marx.