Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 19/10/2023
No filme norte-americano “Não, não olhe”, retrata-se a sociedade do espetáculo, em que a trama crítica o capitalismo sobre a espetacularização humana em diversas situações de terror, com o intuito da monetização e reconhecimento. Assim como na ficção, é nítido na sociedade contemporânea brasileira as consequências da espetacularização da violência pela mídia. Logo, é uma realidade a influência midiática na estereotipação da criminalidade e a omissão estatal.
Diante desse cenário, é evidente a categorização midiática sobre a violência na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, de acordo com Pierre Bourdieu, o conceito de “violência simbólica”, aborda a forma de coação dos meios de comunicação e conhecimento ao apoiar uma imposição determinada. De maneira análoga, ao pensamento de Bourdieu, é indiscutível a intensão da mídia em associar crimes a pessoas negras e periféricas, tendo vista que a violência é tratada como espetáculo pelos meios televisionares, como o datenismo e “cidade alerta”, nas comunidades de classes baixas. Dessa forma, esse fator promove grave ruptura na ordem social.
Ademais, é válido ressaltar a negligência estatal perante ao jornalismo sensacionalista. Nesse viés, segundo a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante que nenhum indivíduo é culpado até a sentença penal. Sob essa lógica constitucional, o Estado precisa não apenas criar políticas públicas que assegurem a não influência midiática na formação da opinião pública e moral, mas também regulamentar a mídia, que promove a espetacularização pela audiência. Desse modo, enquanto a omissão estatal for a regra o sensacionalismo permanecerá.
Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que a espetacularização da violência gera empecilhos na sociedade hodierna brasileira. Urge portanto, que o Ministério da Cidadania -órgão responsável pelos direitos humanos no Brasil- faça medidas legislativas punitivas a propagação da discriminação e projetos de regulamentação da mídia, por meio de campanhas sociais e aprovações constitucionais, para que o sensacionalismo da violência seja erradicado do jornalismo contemporâneo brasileiro. Pois, somente assim, o Brasil não viverá o espetáculo do horror de “Não, não olhe”.