Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 11/12/2020

Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Nesse sentido, em relação à ocupação urbana desordenada, vê-se falhas nesse funcionamento, pois esta trás consequências negativas para o meio ambiente e para a população. Nesse contexto, cabe analisar e compreender essas consequências, como: a péssima qualidade de vida ofertada, além dos impactos ambientais gerados.

Em meados do século XVII e XVIII, durante as Revoluções Industrias, houve maior oportunidade de emprego e qualidade de vida nas grandes cidades, o que levou ao êxodo rural - a passagem de grande parte população do campo para a cidade - em busca de melhorias. No entanto, não foi a realidade encontrada para todos, devido a superlotação desses centros, sendo o ponto primordial para a construção de favelas, cortiços e o início para o desemprego. Analogo à isso, tem-se a obra “O Cortiço”, do naturalista Aluizio Azevedo, em que é retratado a vida dentro de um cortiço, sem privacidade, higiene e até espaço, ou seja, vidas sem a menor dignidade e valor. A esse respeito, fica claro uma sociedade injusta como reflexo de um Governo despreocupado com a população.

Ademais, outra resposta relevante do problema é o impacto causado na natureza. De acordo com o IBGE, no Distrito Federal os maiores problemas ambientais são o lixo e a água, em razão da ocupação de lugares inapropriados. Entretanto, esse fato se dá pela falta de moradia e emprego, levando essas pessoas a viverem nas piores condições e, afetando dessa forma o meio, por alterar o ciclo natural do espaço, sendo prejudicial para ambas as partes. Nesse sentido, é percebível que tal consequência fere os direitos humanos, pois a Constituição de 1988 garante a todo cidadão o direito à moradia e à dignidade e não é a realidade encontrada, como resposta de um Poder Executivo falho e irresponsável.

Mediante os fatos, é preciso, portanto, que o Poder Judiciário seja mais rigoroso com o Poder executivo, a fim de fiscalizar se as leis já propostas pelo Legislativo estão sendo executadas e dessa forma manter assegurado os direitos de cada cidadão. Além de o Ministério da Economia, oferecer auxílio moradia e alimentação para as famílias que se encontram desempregadas e perteçam ao grupo de alta vunerabilidade, através de uma distribuição de renda correta e mais justa, oferecendo maior qualidade vida, chance de desenvolvimento e melhora no meio ambiente pela desocupação da área. Acredita-se, que dessas formas será possível superar essas consequências negativas e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento.