Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 01/06/2021

No clássico “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda aponta que havia algo de poético no traçado urbanístico e sinuoso das cidades brasileiras. Entretanto, esta poesia é quebrada ao se analisar o traçado do tipo de colonização empreendida pelos portugueses e da própria visão de mundo dos colonizadores lusitanos. Seus interesses no Brasil eram de enriquecer rapidamente e com pouco esforço, visto que, ao se instalarem no território brasileiro, não buscavam o estabelecimento de uma boa infraestrutura, mas sim uma maior facilidade para enviar à metrópole os frutos da exploração. Dessa forma, torna-se mister analisar, de modo geral, como algumas cidades nasceram e se desenvolveram sem planejamento urbano.

A partir da segunda metade do século XX, o Brasil sofreu com várias emigrações: pessoas que vinham de diversas regiões do país para as capitais. Vinham em busca de melhores condições de emprego, de renda e de qualidade de vida, deixando para trás um passado de pobreza. Surgia, dessa forma, uma demanda social por moradias, estrutura e equipamentos urbanos. No entanto, a ocupação deu-se principalmente nas regiões periféricas, hoje chamados subúrbios. Nestas regiões, havia deficiências nas bases fundamentais da sociedade, tais como água encanada, rede de esgotos, energia elétrica e transporte público. Houve ainda a ocupação de morros, encostas, margens de rios e córregos, invadindo áreas públicas e privadas.

As consequências desta ocupação desordenada podem ser diversas, trazendo problemas tanto de ordem ambiental (poluição sonora, visual, do ar, da água ou até mesmo do solo, por exemplo), como social (altos índices de desemprego, trânsito caótico, falta de saneamento básico, favelização e marginalidade). Desse modo, essas problemáticas contribuem como fatores negativos para a piora na qualidade de vida da sociedade como um todo, além de servirem também como agravantes da desigualdade social no país.

Portanto, cabe ao Estado, como uma importante instituição social, a criação de um amplo planejamento urbano. Tal ato deve ser feito através de políticas públicas que busquem atender principalmente a parte suburbana da sociedade, a fim de que haja uma melhor regulação do espaço social e uma compensação dos sofrimentos pelos quais esses indivíduos passam. Só assim o país poderia alcançar um bom desenvolvimento de suas cidades, pois estas, ao crescerem organizadamente, desfrutariam de maneira igualitária dos bens gerados pelo estabelecimento de uma boa infraestrutura.