Consequências da ocupação urbana desordenada
Enviada em 02/06/2021
No Brasil, a ocupação desordenada do espaço urbano gera vários problemas, devido a falta de planejamento, uma questão histórica referente aos latifúndios e a distribuição de terra, feitas conforme as vontades do senhor de terra. Também é importante ressaltar a forma explosiva como se deu a urbanização, sendo um processo rápido, criando diversos problemas para as grandes cidades, assim como os dependentes da sua lógica funcional, sendo polo administrativo e comercial que reside no espaço geográfico. A formação de um espaço urbano implica na formação de uma rede urbana, uma hierarquia urbana e também inclui os processos de migração.
Uma das consequências da falta de organização ao ocupar a terra são os problemas ambientais que se sucedem desse processo, sendo a poluição de rios e da atmosfera, consequências para os animais da região (logo, todo um ecossistema é prejudicado) e para os seres humanos, que podem desenvolver mais doeças devido às más condições. As mudanças ambientais podem ser percebidas de acordo com os processos de conurbação, pois o encontro entre duas cidades é um movimento desordenado, como também é a gentrificação, que pode ser lido como um processo de revitalização das áreas desvalorizadas das cidades, porém essa denominação é de caráter elitista, uma vez que a população de menor renda residentente do local é obrigada a se mudar, muitas vezes, sem conseguir voltar e então permanecendo em locais com piores condições ou de acesso mais restrito.
Outro fator fruto da ocupação desordenada é o aumento do fluxo migratório nacional, algo analisado por Fausto Brito, em “As Migrações internas no Brasil: um ensaio sobre os desafios teóricos recentes”, apesar de ser uma pubicação datada de 2009, suas contatações podem ser levadas em consideração ainda. Fausto Brito aborda sobre a necessidade dos grandes centros urbanos de mão-de-obra barata advinda de outras regiões, principalmente, o nordeste brasileiro, diminuindo a disponibilidade de moradia, afetando a especulação imobiliária, forçando as pessoas de baixa renda a morar em lugares cada vez menores e mais distantes da cidade, iniciando o processo de favelização, formando a periferia de caráter pobre e estigmatizada.
Dessarte, para resolver esses problemas é preciso reconstruir sistemas de esgoto e tratamento de lixo funcionais e que viabilizem demandas futuras, para melhorar a qualidade de vida dos habitantes. Tal atividade requer a intervenção de órgãos competentes para uma iniciativa público-privada, com empresas como a Sabespe e por meio de organizações que representem as pessoas das regiões mais pobres da cidade para elaboração de um projeto que inclua todos os habitantes.