Consequências da ocupação urbana desordenada

Enviada em 02/06/2021

O processo de urbanização no Brasil se deu no século XX em um contexto de industrialização tardia, comparado ao resto dos países. Diante disso, o ritmo de aumento da população urbana se deu de forma explosiva, com muitas pessoas ocupando as cidades em busca de um lugar favorável para estruturarem as suas vidas. Os resquícios de uma urbanização acelerada somado à falta de infraestrutura para suportar o grande fluxo de pessoas migrando para as cidades resultou nos chamados problemas urbanos, que se estendem do âmbito ambiental ao social.

Isso posto, uma das consequências concretas da ocupação urbana desordenada no Brasil se traduz nas chamadas favelas, espaços com baixa especulação mobiliária que foram sendo ocupados por aqueles que não tinham poder aquisitivo para se estabelecer em lugares planejados da cidade. Essa falta de planejamento implica, além da desigualdade socioespacial, em problemas ambientais que prejudicam a saúde da população e colocam em risco a vida daqueles que lá moram. Tragédias como deslizamentos em morros de favela são comumente reportadas na mídia, uma vez que grande parte das favelas se encontra em enconstas, lugares que não deveriam ser ocupados pelo risco de acidentes ambientais mas que, devido a falta de opções de moradia para os menos favorecidos, acabam por serem apropriados.

Esse fruto da superlotação urbana, além de produzir espaços inadequados para a moradia, configuram uma contribuição na manutenção da marginalização social, uma vez que o povo pobre, além de ser excluído nos espaços representativos da sociedade, se encontra também excluído nos espaços físicos da cidade. À vista disso, o retrato da marginalização social, causada por esse inchaço urbano, pode ser observada na obra de Carolina Maria de Jesus, chamada “Quarto de Despejo: Diário de uma favelada” na qual ela retrata a sua vivência na favela, o quanto viver na favela é difícil e e que estar lá não é uma escolha de seus moradores, e sim o lugar que lhe restou para ser ocupado devido a sua condição socioeconômica.

Frente à essa circuntância no âmbito habitacional, é necessário que o Estado, responsável pela gestão urbana dentro do território segundo a Constituição Federal, invista em políticas públicas de revitalização de espaços na periferias das cidades brasileiras, por meio de reformas e créditos para investimento em moradias adequadas. Tudo isso a fim de que as cidades informais, consequência de uma ocupação urbana desordenada, se tornem espaços saudáveis para a convivências dos cidadãos, independente de sua condição socioeconômica.