Consequências da ocupação urbana desordenada
Enviada em 02/11/2021
Na obra “O Cortiço”, escrito pelo naturalista Aluísio Azevedo, são retratadas as condições insalubres de vida da população de um cortiço no Rio de Janeiro, durante o século XIX. Nesse contexto, apesar de descrever a realidade de séculos atrás, o livro retrata a contemporaneidade, uma vez que, é notório o processo de uma ocupação urbana desordenada e, consequentemente, a formação de uma população desamparada pelo Estado. Desse modo, questões como a falta de políticas públicas de assentamento e a formação de “cidadãos de papel” devem ser compreendidas e solucionadas.
É relevante abordar, primeiramente, que, na obra, “A Hora da Estrela”, redigido por Clarice Lispector, observa-se a vida de Macabéa, vinda do sertão para os grandes centros urbanos em busca de melhores condições de vida. Nesse ínterim, o livro retrata a realidade do século XXI, ao abordar a vinda de um grande contigente populacional para os centros urbanos e as situações precárias de moradia e alimentação desses indivíduos. Dessa forma, a falta de políticas públicas desenvolvidas pelo Estado, que promovam o assentamento de pessoas advindas de uma ocupação desordenada, apresenta-se como um principal fator na formação de aglomerados subnormais, como favelas e periferias, e de uma população sem acesso a direitos básicos.
Em decorrência disso, vale ressaltar, que, de acordo o artigo 6 da Constituição Federal de 1988, a moradia, a segurança, o transporte e o saneamento básico de qualidade, apresentam-se como direitos de todos e dever do Estado. No entanto, com a formação de aglomerados subnormais, observa-se o desenvolvimento de uma “cidadania de papel”, uma vez que esses direitos não são concedidos a tal população. Assim sendo, torna-se perceptível tal concepção ao se analisar os dados divulgados pelo Trata Brasil, instituto brasileiro, que afirma que 35 milhões de cidadãos no país não possuem acesso a água potável, situação que se agrava nas periferias e favelas, tornando-se notória as condições insalubres de uma população advinda de uma ocupação desordenada.
Evidencia-se, portanto, que, devido uma ocupação urbana mal planejada, com a falta de políticas públicas, observa-se consequências prejudiciais na vida dessa população. Logo, cabe ao Estado, responsável pela administração e manutenção do país, fornecer amparo a esses indivíduos, com políticas regularizadas de assentamento, através da criação e o desenvolvimento de programas governamentais eficientes, que visam uma ocupação ordenada. Além disso, garantir o fornecimento dos direitos básicos de um cidadão, como moradia, alimento, transporte e saneamento, por meio desses programas estatais. Somente assim, será possível que “O Cortiço” retrate apenas a realidade do século XIX, e não a contemporaneidade brasileira.